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75% dos brasileiros acreditam que as empresas devem assumir custos de sustentabilidade, aponta pesquisa da Ipsos

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Natura, Boticário e Google têm melhor desempenho ESG entre marcas avaliadas

Consolidada como o maior estudo de opinião pública sobre reputação e performance ESG de empresas brasileiras, a pesquisa Reputação 360º: o ESG além da Sustentabilidade, lançada pela Ipsos nesta terça (30), mostra que a sociedade tem cobrado mais responsabilidade das empresas na preservação do meio ambiente: 75% dos brasileiros acreditam que elas devem absorver o custo da sustentabilidade, sem repassar aos consumidores.

Quando perguntados sobre o progresso do país em direção ao desenvolvimento sustentável, a pesquisa mostra que a visão negativa vista em 2024 permanece. No entanto, ela já apresenta melhoras quando se avalia as três dimensões que compõem esse conceito:  36% dos entrevistados consideram mal ou muito mal o progresso do desenvolvimento econômico (37% em 2024), 37% do cuidado ambiental (43% na avaliação anterior) e 32% do bem-estar social (39% em 2024).

O levantamento ouviu consumidores sobre 130 empresas e 23 setores. Os resultados são fruto de 6 mil entrevistas online, com homens e mulheres de 18 anos ou mais, das classes sociais A, B e C, de todas as regiões do Brasil, entre 02 e 12 de julho de 2025.

Percepção acerca das empresas

Ao avaliar a percepção sobre as marcas, esta edição do estudo mostrou que Natura, Boticário e Google são as empresas com melhor reputação e performance em ESG.  As 10 melhores no ranking geral são Natura (742 pontos), Boticário (714), Google (696), Nestlé (692), Avon (690), Ypê (688), Faber Castell (683), Tramontina (681), Samsung (678) e L´Oreal (674).

A pesquisa considera o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, social e ambiental das organizações, e avalia a percepção dos entrevistados sobre a contribuição das empresas para o desenvolvimento sustentável (negativa, neutra ou positiva), a partir do Índice de Percepção de Performance ESG (IPPE) – que vai de 0 a 1000 pontos.

Outros destaques

Comparando as duas edições (a pesquisa é divulgada pelo segundo ano consecutivo), houve uma redistribuição de responsabilidade: 38% consideram que as empresas vão mal ou muito mal nos esforços para alcançar o desenvolvimento sustentável (34% em 2024); 31% consideram que os cidadãos vão mal ou muito mal (ante 39%) e 37% dizem o mesmo sobre o Estado (frente a 42% no ano anterior).

A pesquisa também questionou os entrevistados sobre as iniciativas das organizações: 62% deles acreditam que a maioria delas usam ESG apenas para melhorar a imagem, percepção que se intensifica nas classes mais baixas também entre as gerações mais jovens.

“Cresceu o ceticismo com alegações vagas, e a confiança depende cada vez mais de transparência, dados e comprovação. Como empresa que existe para produzir evidências, a Ipsos viu a oportunidade, e a responsabilidade, de oferecer ao mercado um retrato independente, metodologicamente robusto e comparável ao longo do tempo, capaz de separar o ruído daquilo que realmente orienta escolhas”, afirma o CEO da Ipsos, Marcos Calliari.

Preço é fator decisivo na compra de produtos sustentáveis

Ao analisar o comportamento de consumo, a pesquisa mostra que 2 em cada 3 brasileiros ainda colocam o preço como fator decisivo na compra de produtos sustentáveis. Já ao tratar das barreiras ao consumo ambientalmente consciente, 54% citam o preço elevado desses produtos como a principal delas. Em seguida, estão a falta de educação ambiental desde a infância (48%) e a falta de informação clara sobre produtos sustentáveis (44%).

No Brasil, a adoção de hábitos alinhados à responsabilidade ambiental esbarra na desigualdade econômica, mesmo entre aqueles que demonstram interesse em práticas mais sustentáveis. Entre os que buscam saber sobre a sustentabilidade de produtos, 21% buscam informação de todos os produtos que consomem (Classe A 27%, Classe B 23% e Classe C 19%), 57% da maioria dos produtos que consomem (Classe A 60%, Classe B 58% e Classe C 56%), e 22% de uma pequena parte dos produtos que consome (Classe A 13%, Classe B 19% e Classe C 25%).

A distinção também pode ser observada em outros aspectos. Ao avaliar o compromisso dos entrevistados com práticas de sustentabilidade, a pesquisa mostrou que aquelas que exigem maior deslocamento perdem adesão: enquanto 60% dos entrevistados da Classe A levam o lixo reciclável até um ecoponto, o número cai para 55% e 44% nas classes B e C, respectivamente.

Priscilla Branco, diretora de pesquisas de opinião pública e reputação corporativa, e uma das responsáveis pelo estudo, explica que a disposição para consumir de forma responsável segue alta, mas o orçamento das famílias continua sendo o grande limitador. “A ‘lacuna intenção-ação permanece: as pessoas querem escolher produtos e serviços mais sustentáveis, desde que não custem significativamente mais ou comprometam conveniência e desempenho. Em outras palavras, o consumidor brasileiro está dizendo com todas as letras que a sustentabilidade precisa caber no bolso e na rotina”, afirma.

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