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ABIPLA e ABRALIMP apresentam 3ª edição da Pesquisa Nacional sobre a Informalidade em Produtos de Limpeza

Estudo mostra que 14% dos produtos de limpeza domésticos e 20% dos utilizados em empresas são clandestinos. A prática afeta a saúde pública, precariza o setor e gera perdas bilionárias à economia

A ABIPLA (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e Profissional) e a ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) lançaram nesta terça-feira (30), em São Paulo, a 3ª edição da Pesquisa Nacional sobre a Informalidade em Produtos de Limpeza. O estudo mapeou os hábitos de consumo em lares e empresas, mostrando que a informalidade segue como um desafio estrutural para o setor e para o país.

Consumo doméstico: risco que parece economia

A pesquisa revela que 14% da população brasileira ainda compra produtos de limpeza em canais informais, o que representa mais de R$ 5 bilhões em saneantes clandestinos. O faturamento anual do setor industrial formal, de uso doméstico, está em R$ 38,16 bilhões (média BACEN de 2024 a R$ 5,3).

A série histórica apresentou crescimento, formando um “U” que precisa ser interrompido (22% em 2021, 11% em 2024 e 14% em 2025). Os impactos seguem preocupantes para a saúde, a economia e a sociedade. Para traçar o perfil do consumo doméstico, a pesquisa ouviu 1.219 pessoas.

Para Juliana Marra, presidente da ABIPLA, o problema tem duas faces: “Os produtos falsificados trazem ineficácia e uma falsa sensação de economia para a população. Além do risco direto à saúde, a informalidade gera concorrência desleal, precariza o mercado e impede a arrecadação de impostos que deveriam retornar às políticas públicas. Precisamos combatê-la porque seu custo humano e financeiro é altíssimo.”

Outro dado relevante é que 8% dos consumidores compram de caminhões que vendem produtos a granel, prática não regulamentada. Na maioria dos casos, esses veículos circulam ao menos duas vezes por mês, estimulando compras recorrentes. 

Empresas: informalidade cresce

No mercado de limpeza profissional, que atende hospitais, restaurantes, hotéis, escolas, indústrias e agronegócio, a pesquisa ouviu 700 empresas. O levantamento mostra que 20% das organizações compram produtos de forma parcial ou exclusiva em canais informais, número maior do que o registrado em 2021 (17%) e 2024 (18%).

Para Nathalia Tiemi Ueno, presidente da ABRALIMP, o cenário é preocupante: “Produtos ou serviços fora de conformidade aumentam riscos sanitários, comprometem contratos, prejudicam a concorrência leal e, sobretudo, colocam em risco a saúde e a segurança da população. É por isso que defendemos um setor mais integrado, profissional e ético, no qual rastreabilidade e qualidade sejam valores inegociáveis.”

O estudo detalha que:

As empresas que mais recorrem ao mercado clandestino lidam geralmente com sujidades mais difíceis, como resíduos industriais ou manchas em tecidos, e acabam buscando produtos mais “fortes” – entre eles, desinfetantes hospitalares, desengraxantes e saneantes para roupas. Justamente nesses segmentos, a informalidade cresce, ampliando os riscos de intoxicação e falhas de higienização. 

Saúde pública em foco

ABIPLA e ABRALIMP destacam que a pesquisa busca oferecer dados para orientar políticas públicas, ações coordenadas de órgãos reguladores e decisões empresariais baseadas em capacitação profissional e em conhecimento de qualidade. Daniela Soderine, Senior Researcher da MosaicLab, empresa responsável pela condução do estudo, explica: “O mapeamento mostra que 54% das empresas fazem limpeza leve diariamente e que 72% realizam limpeza pesada ao menos quinzenalmente. Ainda assim, quase metade das empresas que compram informalmente desconhece que pode sofrer fiscalização da ANVISA, por exemplo.”

Outro alerta é o avanço de misturas caseiras ou coquetéis de produtos, sobretudo entre empresas que compram no mercado informal. A prática tem levado a um aumento de intoxicações em trabalhadores, com relatos de tonturas, dores de cabeça e abdominais, irritação respiratória e vômitos. 

Para ABIPLA e ABRALIMP, a pesquisa reforça que a informalidade em produtos de limpeza é, acima de tudo, uma questão de saúde pública. O enfrentamento passa por três pilares: educação do consumidor, fiscalização inteligente e valorização da conformidade. Essa agenda é essencial para proteger famílias e empresas, fortalecer a competitividade do setor e dar previsibilidade a quem atua dentro da lei. 

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