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Nova Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono deve impulsionar negócios

Cristina Reis foi escolhida pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) para chefiar a nova Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono / Crédito: Governo Federal

Criação do órgão representa avanço na regulação do setor e pode acelerar investimentos e compensações de emissões no país

O Ministério da Fazenda formalizou a criação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, responsável pela gestão do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). A nova secretaria ficará subordinada ao Ministério e terá a missão de formular, regulamentar e coordenar ações voltadas ao mercado de créditos de carbono no Brasil.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a chefe da Secretaria, Cristina Reis, afirmou que o país tem condições de se tornar um dos principais polos globais do setor. “O Brasil tem condições para ter uma bolsa de valores bastante importante mundialmente”, disse. Segundo ela, é essencial que o país assuma o protagonismo e não permita que outras bolsas liderem a construção desse mercado. Cristina também destacou a necessidade de novas metodologias que garantam a integridade dos créditos, com transparência e rastreabilidade nas emissões e negociações. A estimativa é que o mercado brasileiro esteja em plena operação em até cinco anos, com leilões e transações em larga escala.

Demanda crescente e urgência climática

Para o CEO da Bolsa de Ação Climática (B4), Odair Rodrigues, a criação da Secretaria é um passo importante, mas as ações precisam ser mais rápidas. “O Brasil precisa de mais investimento para a estruturação do mercado de crédito de carbono, principalmente para facilitar o acesso das empresas às compensações. Mas cinco anos é muito tempo. A demanda é crescente. A temperatura média do planeta já ultrapassou 1,5°C de aquecimento em 2024. A hora de adotarmos medidas urgentes é agora”, afirma.

A B4, primeira bolsa de ação climática do país, já contabiliza 44 projetos em processo de listagem, 11 aprovados e 7 listados, após apenas dois anos de operação. O volume de créditos em análise chega a 146,695 milhões de toneladas de CO₂, enquanto 12,762 milhões de toneladas já foram listadas. “Nossos projetos têm qualidade e transparência que atendem aos critérios do SBCE, mas as empresas ainda investem de forma voluntária e pontual, porque falta incentivo. Instituições públicas e privadas precisam compensar sua pegada de carbono imediatamente”, reforça Rodrigues.

Educação e transparência para fortalecer o mercado

Para o executivo, a qualidade dos projetos de geração de crédito de carbono e de outros ativos sustentáveis ainda precisa evoluir. “Toda a sociedade deve se comprometer a acompanhar a evolução do mercado — governo, fiscalizadores, empresas privadas e também a imprensa, que tem papel fundamental ao promover investigações e a circulação de informações confiáveis.”

Com esse propósito, a B4 promoverá, no fim de outubro, um encontro de qualificação de jornalistas para a cobertura da COP30. “Estamos investindo em educação porque acreditamos na lógica da compensação por meio dos créditos de carbono e queremos prestar um serviço à sociedade. A questão ambiental é urgente e é responsabilidade de todos”, conclui Rodrigues.

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