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Estudo aponta necessidade de restringir veículos mais poluentes em São Paulo

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Foto: Carlos Barretta

Relatório da iniciativa TRUE indica que cidades brasileiras precisam retirar gradualmente veículos antigos de circulação e adotar políticas para reduzir emissões

Um novo relatório da TRUE – The Real Urban Emissions Initiative aponta que São Paulo e outras cidades brasileiras deveriam retirar gradualmente de circulação seus veículos mais antigos e investir em políticas públicas voltadas ao enfrentamento dos altos níveis de poluição do ar. As emissões dos cerca de 7 milhões de veículos que circulam pela região metropolitana são o principal fator de degradação da qualidade do ar e contribuem para uma crise de saúde pública, já que os níveis de dióxido de nitrogênio e material particulado frequentemente ultrapassam as diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

O estudo, conduzido pela TRUE em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e a Companhia de Engenharia de Tráfego, coletou 323 mil medições de emissões em nove pontos da região entre maio e julho de 2024, utilizando tecnologia de sensoriamento remoto.

Os principais resultados indicam que:

Automóveis de passeio com mais de 18 anos, embora representem menos de 7% da amostra, foram os maiores emissores. Veículos a gasolina da fase L3 do PROCONVE emitiram 19 vezes mais hidrocarbonetos, 4 vezes mais monóxido de carbono e o dobro de óxidos de nitrogênio que os limites do programa.

Caminhões a diesel fabricados antes da fase P3 representaram cerca de 10% da amostra e emitiram mais de 5 vezes os limites de óxidos de nitrogênio e mais de 12 vezes os de material particulado, quando comparados a modelos mais novos. Mesmo os mais recentes apresentaram emissões acima dos limites regulamentares.

Táxis e carros de aplicativo, que representaram quase 30% da amostra, emitiram o dobro de hidrocarbonetos, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio em relação aos veículos particulares.

Veículos de carga urbana, usados na entrega de última milha, emitiram quase 30% mais óxidos de nitrogênio e material particulado que caminhões convencionais.

Os piores desempenhos foram registrados em automóveis equipados com motores Fiat 1.0L e Chevrolet 1.8L, certificados na fase L6 do PROCONVE, com emissões até 3,4 vezes superiores aos limites. Em táxis e veículos de aplicativo, essas mesmas motorizações chegaram a emitir mais de 12 vezes os limites de hidrocarbonetos.

Entre as recomendações, o relatório sugere:

Retirada gradual de circulação dos veículos mais antigos e poluentes, com programas de sucateamento e incentivos fiscais.

Eletrificação dos grupos de uso intensivo, como táxis, carros de aplicativo e caminhões de carga urbana.

Atualização do PROCONVE com base em emissões reais medidas em uso.

Implementação de inspeções nacionais de manutenção, já que cerca de 35% da frota medida não era registrada na Região Metropolitana de São Paulo.

Cumprimento dos limites das fases L8 e P8 do PROCONVE para novos veículos leves e pesados.

O relatório também destaca que fatores ambientais, como alta incidência de luz solar e temperaturas elevadas, agravam a formação de ozônio troposférico, ampliando o desafio da qualidade do ar na cidade.

A diretora de Qualidade Ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Maria Helena Martins, aponta que, apesar dos avanços, ainda são necessárias novas políticas para reduzir o impacto da frota circulante. O diretor-geral do ICCT Brasil, Marcel Martin, reforça a importância dos dados para orientar ações de redução de emissões. Já Sheila Watson, da FIA Foundation e parceira da TRUE, destaca a urgência de enfrentar as frotas mais antigas e poluentes e de impulsionar a eletrificação em escala nacional.

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