Vida Mais Sustentável

Pesquisa do Instituto Ethos mostra que setor empresarial ainda precisa avançar em transição justa e monitoramento de impactos sociais

Reprodução

Estudo revela que apenas 41% das empresas produzem relatório formal de riscos climáticos e 65% não acessam financiamento climático

São Paulo, novembro de 2025 — Pesquisa inédita do Instituto Ethos, realizada em parceria com a GlobeScan, mostra que o setor empresarial brasileiro ainda tem grandes desafios para consolidar uma atuação efetiva diante da crise climática. O levantamento, divulgado durante a COP30 em Belém (PA), ouviu companhias associadas ao Instituto e revelou que menos da metade apoia iniciativas de transição justa ou monitora seus impactos sociais de forma estruturada.

Apenas 31% das empresas afirmaram desenvolver ou apoiar ações voltadas à transição justa, enquanto 16% estão em fase de planejamento e 61% não possuem políticas ou conhecimento sobre o tema. No monitoramento de impactos sociais, 18% contam com mecanismos estruturados e 22% possuem práticas parciais. Embora 96% afirmem adotar medidas de mitigação ambiental, só 41% publicam relatórios formais de riscos climáticos.

Segundo Caio Magri, presidente do Instituto Ethos, é preciso que o setor empresarial assuma maior protagonismo. “As empresas são fundamentais para mudar o cenário e contribuir com a construção de soluções climáticas. Precisam ter metas nítidas de mitigação e adaptação, atuando com integridade socioambiental”, afirma.

Investimento e inovação

O estudo indica que 57% das empresas investem em inovação e pesquisa para enfrentar a crise climática, especialmente nas áreas de economia circular e energia renovável. A digitalização e o uso de inteligência artificial para eficiência climática aparecem em 39% das respostas, e 36% das companhias investem em novos modelos de negócios sustentáveis.

Ainda assim, o acesso a financiamento climático é limitado: 65% das empresas não utilizam essas linhas de crédito. Entre as principais barreiras estão a falta de garantias financeiras e de projetos estruturados (27% cada), burocracia (20%) e ausência de equipe ou conhecimento técnico (18%).

Prioridades e recomendações

Os temas considerados prioritários pelas empresas para o debate na COP30 foram adaptação e resiliência às mudanças climáticas, justiça climática e redução de emissões de gases de efeito estufa — cada um com 31% das menções.

Com base nos dados, o Instituto Ethos apresentou o documento Impacta COP30 – Além do Clima: Posicionamento e propostas do Instituto Ethos para uma atuação empresarial pela integridade socioambiental, com recomendações para fortalecer o papel das empresas, entre elas:

Engajamento com a COP30

A maioria das empresas (59%) declarou intenção de participar presencialmente ou remotamente da COP30, embora o custo elevado e a falta de clareza sobre como se engajar ainda sejam barreiras relevantes.

Entre as expectativas, 27% esperam que a Conferência traga ações concretas, 14% aguardam resoluções sobre financiamento climático e outros 14% esperam avanços nas metas do Acordo de Paris.

O levantamento mostra ainda que 78% das empresas acreditam que seu papel na COP é apresentar soluções práticas, 73% defendem o estabelecimento de compromissos e metas climáticas e 71% veem como essencial a influência sobre políticas públicas.

Para o Instituto Ethos, os resultados reforçam a necessidade de transformar a conscientização em ação concreta e estratégica. “O setor empresarial tem papel decisivo na construção de um futuro de baixo carbono. A hora de agir é agora, com transparência, responsabilidade e compromisso social”, conclui Caio Magri.

Sair da versão mobile