Organizações internacionais promovem saída de campo em comunidade quilombola durante a COP30
Durante a COP 30, uma saída de observação de aves realizada pela SAVE Brasil, em parceria com a BirdLife International, destacou a beleza e a relevância da fauna amazônica em áreas tradicionais. A atividade ocorreu na comunidade quilombola Menino Jesus, a cerca de quarenta minutos de Belém, e evidenciou o que está em risco com o avanço do desmatamento.
Segundo o Imazon (2023), 30% da Amazônia Oriental já foi desmatada. Dados do ICMBio (2023) indicam que essa região concentra 38% das aves ameaçadas no país. A expedição reuniu dezenove participantes, incluindo representantes da BirdLife International, da Audubon e da SAVE Brasil, além de colaboradores e doadores estrangeiros, que percorreram áreas de terra firme manejadas de forma sustentável, onde persistem remanescentes primários e espécies sensíveis.
Entre os registros, destacaram-se aves associadas a florestas conservadas, como o anambé-una (Querula purpurata) e o tucano-de-papo-branco (Ramphastos tucanus). O avistamento do sagui-una (Saguinus ursulus), primata globalmente ameaçado, reforçou o papel da região na proteção de espécies sob forte pressão do desmatamento.
Para Pedro Develey, diretor executivo da SAVE Brasil, a experiência demonstrou que conservação e clima estão conectados. “A conservação da natureza não é uma agenda paralela ao clima, ela é o coração da solução climática. Cada área preservada e cada espécie protegida representam resiliência ecológica e segurança para as comunidades que dependem da floresta”, afirma. Luca Ernemann, porta-voz da Nature and Biodiversity Conservation Union Youth, compartilhou a visão de que vivências de campo aproximam delegados da realidade local: “Ver de perto espécies como o tucano e os primatas reforça como ecossistemas saudáveis sustentam a vida”.
O turismo de observação de aves surge como alternativa de renda sustentável para populações locais, integrando guiamento, manejo florestal e proteção territorial. Em Menino Jesus, essas iniciativas fortalecem a autonomia comunitária e mantêm a floresta em pé, tema central das discussões sobre justiça climática na COP 30.
