Vida Mais Sustentável

Sustentabilidade redefine padrões no setor de eventos

Crescimento de 19% nos eventos de grande porte em 2025 reforça a urgência por economia circular, responsabilidade na cadeia de fornecedores e práticas ESG

A adoção de práticas sustentáveis no setor de eventos deixou de ser diferencial e passou a ser exigência estratégica, sobretudo para marcas que dialogam com consumidores mais conscientes, atentos ao impacto socioambiental das suas escolhas. O relatório Events Industry Trends Report 2025, da Eventex Awards, confirma esse movimento: sustentabilidade já é a segunda maior tendência global do setor, citada por 18,48% dos profissionais entrevistados.

No Brasil, o cenário é ainda mais evidente. Um estudo da consultoria ESG Insights, divulgado em fevereiro de 2024, indica que 95% dos consumidores brasileiros preferem marcas que investem em sustentabilidade. Essa mudança de mentalidade tem levado empresas a tratarem eventos não apenas como experiências presenciais, mas como extensões diretas de reputação, compromisso ambiental e responsabilidade social.

A transformação é estrutural. Durante o evento R1 Talks, Thiago Spiess, CIO da Equipa Group e cofundador do Instituto Transforma, destacou os desafios do setor no painel ESG em ação. Segundo ele, a agenda ESG ampliou o protagonismo de temas como desperdício de alimentos, responsabilidade na escolha de fornecedores e planejamento para reduzir impactos. “Trata-se de orientar os clientes e desenvolver objetivos realmente alinhados a essa perspectiva sustentável”.

O avanço do mercado reforça a urgência por esse alinhamento. Segundo a Allied Market Research (2024), o setor global de eventos deve movimentar US$2,5 trilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,8%. Dentro desse cenário, eventos sustentáveis tendem a atingir US$1,5 bilhão até 2030. No Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos projeta impacto econômico de R$141 bilhões em 2025, enquanto a UBRAFE registrou aumento de 19% no número de eventos de grande porte no primeiro semestre de 2025, em relação a 2024.

O crescimento, porém, não pode resultar em aumento de impactos negativos. Spiess reforça a responsabilidade compartilhada. “Não adianta a empresa ter certificação ESG se isso não é respeitado em toda a cadeia, especialmente nas áreas de compras. A responsabilidade é compartilhada e só assim conseguiremos mudanças consistentes”.

Os impactos ambientais de uma única produção podem ser expressivos. Em alguns casos, o consumo de energia equivale ao gasto anual de mais de mil residências. A isso se somam resíduos, emissões de transporte, uso intensivo de água e pegada de fornecedores. Nesse contexto, economia circular se torna diretriz essencial, com foco em reaproveitamento, redução de materiais e descarte responsável.

Com essa evolução, eventos deixam de ser momentos isolados e se consolidam como plataformas de impacto positivo, construção de reputação e influência cultural. Sustentabilidade já não é tendência, é regra. “Estamos entrando em uma nova era dos eventos, em que não basta entregar experiências memoráveis, é preciso entregar impacto positivo. Quando um evento é pensado sob a ótica da economia circular, ele gera valor ambiental, social e econômico muito além do seu dia de realização. Essa é a direção do mercado, e quem não acompanhar ficará para trás.”

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