Levantamento Ipsos Global Trends revela percepção de favorecimento aos mais ricos e aumento de conflitos familiares no Brasil
As grandes desigualdades de renda e riqueza foram apontadas como uma das tendências mais significativas na 9ª edição da pesquisa Ipsos Global Trends, que entrevistou mais de trinta e três mil pessoas em quarenta e três países, incluindo o Brasil. Para 78% dos entrevistados na média global e 84% no país, a grande diferença de distribuição de renda é ruim para a sociedade.
O estudo mostra que a concentração de riqueza se acelerou. Sete em cada dez pessoas (71%) acreditam que a economia de seu país favorece os ricos e poderosos. No Brasil, a percepção é ainda mais forte: 79% concordam com a afirmação. O orgulho com relação ao país caiu um ponto percentual, para 66%, movimento contrário ao restante da América Latina, onde a média subiu para 72%.
A cobrança também recai sobre empresas privadas. Para 85% dos brasileiros, as empresas têm o dever de contribuir para a sociedade, não apenas lucrar. Entre os mais jovens (16 a 24 anos) e os mais velhos (55 a 74 anos), a criticidade chega a 88% e 89%. A confiança em líderes empresariais caiu oito pontos percentuais no país: 37% acreditam que eles dizem a verdade, enquanto 53% não confiam em seus discursos.
“Os principais fatores de desigualdade continuam a ampliar divisões. Isso está criando um contraste cada vez mais acentuado entre pobreza injusta e riqueza das elites globais”, afirma Marcos Calliari, CEO da Ipsos.
Cresce a resistência aos imigrantes
Quando perguntados se há imigrantes demais no país, 73% dos brasileiros concordam, número seis pontos percentuais acima de 2024. A percepção é maior entre mulheres (76%), pessoas de 35 a 44 anos (81%), de baixa renda (75%) e baixo nível escolar (84%). Ao mesmo tempo, 61% concordam que a imigração tem impacto positivo na sociedade, acima da média global de 45%.
A Ipsos lembra que, no Brasil, o termo imigrante ainda remete para muitos às ondas migratórias dos séculos dezenove e vinte, o que distorce parte da percepção atual.
Globalização e divisão de valores
Globalmente, 64% afirmam que a globalização é boa para seu país. No Brasil, a aprovação chega a 75%, mas cai para 66% entre jovens, 65% entre pessoas de baixa renda e 70% entre entrevistados de menor escolaridade.
A tendência Sociedades Fragmentadas mostra aumento de conflitos dentro das famílias. No Brasil, 61% dizem enfrentar tensões por não compartilharem os mesmos valores, acima da média global de 47% e três pontos percentuais a mais que no ano anterior. Entre os quarenta e três países, o Brasil é o quarto que mais cita o problema.
A pesquisa monitora nove tendências globais: além das citadas desigualdade de renda, fraturas da globalização e sociedades fragmentadas, o relatório traz dados sobre convergência climática, deslumbramento tecnológico, saúde consciente, retorno a modelos antigos, novo niilismo, fuga para o individualismo e o poder da confiança.
A pesquisa foi realizada online entre 23 de maio e 6 de junho de 2025, com amostra de mil pessoas no Brasil. Os dados foram ponderados para refletir o perfil demográfico da população adulta segundo o censo mais recente.








