Relatório destaca que somente a combinação de ação empresarial, colaboração entre setores e políticas habilitadoras poderá superar barreiras e reduzir a poluição plástica em escala
A Fundação Ellen MacArthur lançou o relatório Agenda de Plásticos 2030 para Empresas, com um alerta direto: 80% do mercado global de embalagens plásticas ainda não deu os primeiros passos rumo à economia circular. Enquanto isso, os impactos ambientais seguem crescendo. Apenas 9% dos plásticos são reciclados no mundo e, no Brasil, o índice é ainda mais baixo: 1,3%.
O estudo aponta que as empresas signatárias do Compromisso Global — cerca de 20% do mercado de embalagens — já demonstram resultados concretos. Em cinco anos, elas evitaram o uso de 14 milhões de toneladas de plástico virgem, triplicaram o uso de conteúdo reciclado e eliminaram bilhões de itens problemáticos. Esse volume equivale a 1,8 trilhão de sacolas plásticas ou a economia de um barril de petróleo por segundo.
Para acelerar a transformação, o relatório destaca que as empresas precisam integrar soluções comprovadas e atuar em três frentes:
Advocacy coletivo, para apoiar regulamentações que tornem soluções circulares viáveis e competitivas.
Ação colaborativa, compartilhando riscos, custos e inovação para superar barreiras sistêmicas.
Ação individual, avançando internamente para inspirar mudanças de mercado e políticas públicas.
Segundo Victoria Almeida, gerente regional na Fundação Ellen MacArthur, o avanço já apresentado por empresas líderes não é suficiente para transformar o sistema como um todo. “Para que modelos de reuso e reciclagem prosperem, precisamos de ações colaborativas, infraestrutura e um ambiente regulatório favorável. A Agenda 2030 convida as empresas a moldarem essa transformação juntas”, afirma.
Rob Opsomer, líder executivo de Plásticos e Finanças, reforça que agir agora traz vantagem estratégica: “As empresas que liderarem essa mudança poderão influenciar políticas eficazes e tornar soluções circulares o novo padrão. Trabalhar em conjunto reduz custos de transição e aumenta a resiliência.”
O movimento ganha escala global. Além do Compromisso Global, mais de 700 empresas participam de Pactos dos Plásticos em diferentes países e 300 organizações defendem um tratado global juridicamente vinculante para acabar com a poluição plástica.
A Agenda de Plásticos 2030 indica que o próximo ciclo de transformações dependerá não apenas de inovação técnica, mas de união entre empresas, governos e sociedade, para que o esforço coletivo seja capaz de virar o jogo em relação ao plástico — um desafio que, pela escala, ninguém resolve sozinho.
