Startup capta um milhão de reais para fortalecer soluções digitais e acelerar crescimento no mercado ambiental
A Minha Coleta, greentech voltada a soluções ambientais e de logística reversa, anunciou a captação de um milhão de reais que será destinada à sua estruturação e expansão. O aporte reúne um grupo de investidores liderado pela Bossa Invest e pela Poli Angels.
A startup, criada no Desafio Empreendedor Universitário Sebrae e participante do Capital Empreendedor em 2024, dá um passo importante ao consolidar sua rodada de investimento. O CEO Eduardo Nascimento destaca o simbolismo do momento, especialmente após a retomada da empresa em meio a desafios societários. Desde então, a greentech ampliou sua atuação e conquistou clientes como Grupo Petrópolis, Natura, Cyrela, JCPM e Raia Drogasil.
O aporte também representa um marco para o setor de greentechs, que enfrenta pressões do movimento anti ESG em outros países. No Brasil, porém, o investimento reforça que o mercado de sustentabilidade e impacto segue em expansão. Para Daniel Coimbra, da Bossa Invest, o cenário atual favorece soluções capazes de unir demandas regulatórias, tecnologia e eficiência. Ele destaca que o país produz mais de oitenta milhões de toneladas de resíduos por ano e recicla menos de oito por cento, o que cria oportunidades para plataformas digitais que ajudem a organizar, padronizar e tornar rastreável toda a cadeia.
Dados do mercado global reforçam o potencial. De acordo com o Global Impact Investing Network, o setor ultrapassou um trilhão de dólares em 2023, com forte mobilização de capital para negócios que unem retorno financeiro e impacto positivo. No Brasil, cerca de setenta e oito por cento das greentechs latino-americanas estão concentradas no país.
A trajetória recente da Minha Coleta inclui um período de crise que paralisou a entrada de novos clientes e comprometeu a operação por cerca de nove meses. O CEO relata que a instabilidade societária exigiu sua volta à gestão. Nesse período, a empresa perdeu um contrato que representava cerca de quarenta por cento da operação. Com a reestruturação e a confiança dos investidores, a startup voltou a crescer e deve praticamente dobrar o faturamento em relação ao ano anterior.
A nova rodada de investimento é considerada um passo estratégico para alcançar a meta de crescer dez vezes no próximo ano. As prioridades incluem fortalecimento da estrutura, expansão da base de clientes e evolução tecnológica da plataforma.
Para Daniel Coimbra, a digitalização da cadeia de resíduos é inevitável e representa um avanço para empresas, operadores e cooperativas. Segundo ele, soluções como a da Minha Coleta aumentam eficiência, reduzem custos regulatórios, ampliam transparência e impulsionam mercados ambientais, como os créditos de logística reversa.
A jornada de recuperação da startup também reforça a maturidade do mercado verde brasileiro. Em um cenário no qual a ausência de políticas ESG influencia a relação entre consumidores e marcas, a capacidade de uma greentech de atrair investimento mesmo após turbulências demonstra resiliência e alinhamento às demandas ambientais e sociais.
O investidor Luiz Henrique Rodrigues Silva, hoje sócio operador da empresa, resume o propósito da parceria: ele buscava negócios com impacto social e ambiental e encontrou na Minha Coleta uma forma de fortalecer operadores e cooperativas por meio da digitalização, ampliando a taxa de reciclagem e a distribuição de renda.
