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AVABRUM promove semana de mobilização pelos 7 anos do rompimento em Brumadinho

Foto: Isis Medeiros

Agenda de mobilização social reúne atos públicos, seminário, encontros com lideranças nacionais e ações culturais para exigir responsabilização e mobilizar a sociedade contra a impunidade

A semana que marca sete anos da tragédia-crime da Vale em Brumadinho será marcada por uma ampla agenda de mobilização social voltada à preservação da memória, à homenagem às 272 vítimas, à denúncia da impunidade e ao fortalecimento da luta por justiça. Entre os dias 17 e 25 de janeiro de 2026, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) promove uma série de iniciativas abertas à sociedade, com atividades distribuídas em diferentes territórios e formatos, convidando a população a ocupar espaços de mobilização coletiva.

Identificada pelo lema 7 anos de impunidade, a programação propõe transformar o período em um tempo de presença ativa, reflexão crítica e articulação social. A proposta é reforçar que o crime não pertence ao passado e que seus efeitos seguem impactando vidas, relações comunitárias e o debate público, exigindo respostas institucionais compatíveis com a dimensão da tragédia.

As ações começam no sábado, 17 de janeiro, com um adesivaço realizado nos municípios de Sarzedo (MG), Mário Campos (MG), Brumadinho (MG) e Casa Branca (MG). A partir das 17h, ocorre a distribuição e colagem de materiais nos vidros traseiros de automóveis, ampliando a circulação da mensagem por memória, justiça e responsabilização no cotidiano dos territórios atingidos.

No domingo, 18 de janeiro, será realizado o 4º Pedal e a 1ª Caminhada por Brumadinho, com concentração às 6h e saída às 8h, no Memorial Brumadinho. A iniciativa propõe ocupar o território por meio de atividades coletivas, estimular a convivência e reforçar o memorial como espaço permanente de lembrança, escuta e compromisso social.

A segunda-feira, 19 de janeiro, será marcada por um ato simbólico de forte significado. Familiares, atingidos e apoiadores se reúnem para o Abraço ao Córrego do Feijão e o plantio de rosas em homenagem às vítimas do rompimento da barragem. A atividade tem início às 8h, com ponto de encontro na Praça do Córrego do Feijão e deslocamento até a área da Mina Córrego do Feijão, local onde ocorreu o resgate dos corpos, incluindo dois trabalhadores ainda não localizados, Thiago Silva (34) e Natália Oliveira (25). O gesto coletivo reafirma a memória como ato político e a justiça como uma dívida ainda aberta.

Na quinta-feira, 22 de janeiro, a Câmara dos Vereadores de Brumadinho recebe o seminário Memória e resistência por justiça, das 9h às 12h. O encontro reúne debates sobre os impactos prolongados da tragédia-crime, os obstáculos à garantia de direitos e o papel da memória no enfrentamento à impunidade. Participam das mesas Cláudia Mayorga, professora e ex-pró-reitora da UFMG, Marcelo Pertence, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, e Norma Valêncio, economista e mestre em Educação pela UFSCar. Na sequência, ocorre o lançamento da obra Teses jurídicas em defesa dos atingidos pela mineração, organizada por Maria Fernanda Salcedo Repolês e Gabriela Consolaro Nabozny, integrantes do Polo de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG.

Na sexta-feira, 23 de janeiro, duas iniciativas centrais marcam a programação. Pela manhã, às 9h, o Memorial Brumadinho sedia o Encontro das Associações das grandes tragédias do Brasil, reunindo representantes de Brumadinho, Mariana (MG), Ninho do Urubu (RJ), Braskem em Maceió (AL) e Boate Kiss, em Santa Maria (RS). O grupo irá elaborar uma carta destinada à justiça brasileira e internacional, cobrando celeridade nos processos criminais e fortalecendo a articulação nacional entre coletivos atingidos.

À noite, às 18h, a Praça das Joias recebe um concerto musical com bandas do Projeto Anagama, de Brumadinho. A atividade valoriza a produção artística local e reconhece a cultura como ferramenta de expressão, elaboração do luto e mobilização social.

No sábado, 24 de janeiro, ocorre uma carreata com concentração às 17h no Cemitério Parque das Rosas e chegada ao Letreiro de Brumadinho. Na sequência, o percurso segue até a Igreja do Córrego do Feijão, onde a comunidade se reúne para rezar 272 Ave-Marias em homenagem às vítimas, em um gesto coletivo de espiritualidade, solidariedade e memória compartilhada.

O encerramento acontece no domingo, 25 de janeiro, às 11h, no Letreiro de Brumadinho, com o Ato dos 7 Anos. O momento é dedicado à memória das 272 pessoas mortas pela tragédia-crime e à reafirmação pública da exigência por justiça, responsabilização e respeito às famílias atingidas.

Para a diretora da AVABRUM, Maria Regina Silva, a programação reforça o papel da sociedade na construção da memória e na cobrança por respostas concretas. “Cada iniciativa dessa semana foi pensada para mobilizar, sensibilizar e unir pessoas em torno da memória das vítimas. Estar presente é recusar o esquecimento, denunciar a impunidade e afirmar que a justiça precisa deixar de ser promessa para se tornar realidade”, afirma.

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