Gestão de resíduos, economia circular e consumo consciente ganham protagonismo diante da pressão de consumidores e dos impactos da crise climática, aponta a Minha Coleta, greentech especializada em gestão de resíduos e rastreabilidade via blockchain
A proteção ambiental deixou de ser uma pauta restrita a governos e organizações ambientais e passou a ocupar espaço central nas estratégias empresariais. Em um cenário global de disputas políticas e retrocessos regulatórios, como os observados nos Estados Unidos, a pressão por práticas sustentáveis segue crescendo, impulsionada principalmente pelo comportamento do consumidor.
Estudos recentes reforçam essa tendência. Pesquisa da McKinsey aponta que mais de sessenta por cento dos consumidores norte-americanos estariam dispostos a pagar mais por produtos com embalagens sustentáveis. Já levantamento da NielsenIQ mostra que setenta e oito por cento consideram um estilo de vida sustentável importante.
No Brasil, o movimento é ainda mais expressivo. De acordo com pesquisa realizada pela OLX em parceria com a MindMiners, oitenta e oito por cento dos brasileiros preferem consumir de marcas sustentáveis. Quase metade dos entrevistados, quarenta e nove por cento, afirmou já ter deixado de comprar de empresas que não demonstram compromisso suficiente com a preservação ambiental.
Para Eduardo Nascimento, CEO da Minha Coleta, greentech especializada em gestão de resíduos com rastreabilidade via blockchain, esse comportamento redefine o papel das empresas. “As corporações são responsáveis por grande parte das emissões de carbono e da geração de resíduos globais. Por isso, não têm apenas a obrigação, mas também a oportunidade de liderar a transição para modelos de negócio mais sustentáveis”, afirma.
Entre as frentes de atuação, a gestão de resíduos se destaca como um dos pontos mais críticos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o mundo produz mais de dois bilhões de toneladas de lixo por ano. Sem mudanças estruturais, esse volume pode chegar a 3,8 bilhões de toneladas até 2050.
Nascimento alerta que os padrões de produção e reaproveitamento pouco evoluíram nas últimas décadas. “A projeção é de que o lixo urbano aumente em dois terços nos próximos vinte ou trinta anos, se nada mudar”, afirma. A startup liderada por ele esteve entre as selecionadas no ranking Top Open 100 Startups nos últimos dois anos.
A má gestão de resíduos provoca impactos ambientais severos, como contaminação do solo, poluição dos oceanos, emissão de gases de efeito estufa e perda de biodiversidade. Para as empresas, os riscos vão além do meio ambiente e incluem danos à reputação, penalidades legais e afastamento de consumidores.
“Além dos impactos diretos, existem efeitos indiretos que podem gerar grandes prejuízos, como aumento de custos por escassez de recursos, queda de produtividade causada por eventos climáticos extremos e instabilidade nas cadeias de suprimentos”, explica o executivo.
Nesse contexto, a economia circular surge como um caminho estratégico. A substituição do modelo linear de extrair, produzir e descartar por práticas de reaproveitamento, reciclagem e logística reversa permite reduzir desperdícios e criar novos fluxos de valor.
“A circularidade não é apenas uma pauta ambiental. Ela representa eficiência operacional e novas oportunidades de negócio”, destaca Nascimento.
Para empresas que desejam avançar nesse processo, o CEO da Minha Coleta aponta alguns passos fundamentais. O primeiro é o diagnóstico, com o mapeamento dos tipos e volumes de resíduos gerados. Em seguida, a definição de metas claras de redução e reciclagem. Parcerias com cooperativas e soluções de tecnologia verde fortalecem o processo, assim como o engajamento dos colaboradores e a comunicação transparente com todos os públicos envolvidos.
A proteção ambiental deixou de ser uma escolha reputacional e passou a ser uma decisão estratégica. Empresas que integram sustentabilidade à operação reduzem riscos, fortalecem a relação com consumidores e ampliam sua competitividade.
“Além de mitigar impactos, o ESG pode ampliar a lucratividade. Resíduos que antes geravam custo podem se tornar matéria-prima. A economia no uso de água e energia também é significativa. Para quem atua com logística reversa, existe ainda a oportunidade de construir relacionamento com um consumidor mais engajado e fiel”, conclui Nascimento.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe aos líderes empresariais é direta: como o seu negócio pode fazer parte dessa transformação ambiental que já está em curso.








