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Novo relatório aponta urgência de ações para conter crescimento do consumo de energia no setor de água

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Aerial view of modern wastewater treatment facility with circular tanks and advanced filtration systems for efficient water management

Estudo alerta que enfrentar ineficiências pode fortalecer a segurança climática e hídrica

Um novo relatório da Danfoss chama atenção para a necessidade urgente de reduzir a pegada energética do setor de água em escala global. Segundo o estudo, enfrentar ineficiências e desperdícios nesse segmento é fundamental para fortalecer tanto a segurança climática quanto a segurança hídrica, diante do aumento da demanda e do avanço das mudanças climáticas.

Atualmente, o setor de água responde por cerca de 4% do consumo global de eletricidade. Grande parte dessa energia, no entanto, é utilizada de forma ineficiente, o que gera custos elevados e pressão adicional sobre sistemas já sobrecarregados. De acordo com o relatório, combater esse desperdício representa uma oportunidade estratégica para ampliar a eficiência operacional e reduzir despesas ao longo de toda a cadeia.

Para Kim Fausing, presidente e CEO da Danfoss, água e energia são sistemas profundamente interligados. Ele afirma que não é mais possível tratá-los de forma separada, já que a gestão ineficiente do uso energético no setor de água resulta em desperdícios elevados, muitos deles evitáveis com tecnologias já disponíveis.

A escassez hídrica tende a se agravar caso esse cenário não seja enfrentado. Até 2040, o consumo de energia do setor de água pode mais que dobrar, enquanto a demanda do próprio setor energético por água deve crescer quase 60%. A produção, a distribuição e o consumo ineficientes continuam pressionando os recursos globais de água doce, que se tornam cada vez mais limitados.

Processos ultrapassados e tecnologias ineficientes fazem com que diversas indústrias utilizem água em volumes considerados insustentáveis. Data centers, por exemplo, consomem atualmente cerca de 560 bilhões de litros de água por ano. Projeções da Agência Internacional de Energia indicam que esse volume pode dobrar e alcançar 1,2 trilhão de litros até 2030, o equivalente a seis vezes toda a captação de água doce da União Europeia em 2022.

A indústria de semicondutores enfrenta riscos semelhantes. Entre 2030 e 2040, estima-se que 40% das unidades globais de fabricação estejam localizadas em regiões classificadas como de alto ou extremo estresse hídrico, o que compromete a resiliência produtiva e a segurança das cadeias industriais.

O relatório também destaca a vulnerabilidade do abastecimento global de água doce diante do aquecimento global e do crescimento da demanda. Desde 1900, o uso mundial de água doce aumentou seis vezes e, até 2030, a demanda pode superar a oferta em 40%. Atualmente, cerca de 3,6 bilhões de pessoas já enfrentam falta de acesso adequado à água por pelo menos um mês ao ano.

Apesar do cenário desafiador, o estudo aponta que soluções tecnológicas capazes de reduzir o desperdício de água e energia já estão disponíveis. O principal desafio, segundo a Danfoss, está em direcionar investimentos e adotar políticas públicas capazes de transformar ambições em ações concretas.

No caso da dessalinização, a modernização das plantas existentes para operar com o potencial tecnológico atual poderia gerar economia financeira estimada em € 34,5 bilhões e reduzir as emissões de dióxido de carbono em 111 milhões de toneladas métricas. Já nas estações de tratamento de esgoto, a instalação de conversores de frequência permite que motores e bombas se ajustem à demanda em tempo real, reduzindo consumo energético e custos operacionais. Uma unidade em Chennai, na Índia, registrou redução de aproximadamente 22% no consumo de energia após a adoção dessa tecnologia.

Outra alternativa destacada é o resfriamento líquido em data centers, que opera em circuito fechado e consome significativamente menos água do que sistemas evaporativos tradicionais. Soluções de resfriamento direto no chip apresentam eficiência energética pelo menos 15% superior em comparação aos sistemas baseados em ar.

O relatório alerta ainda para os impactos financeiros de ignorar a relação entre água e energia. A intensificação da escassez hídrica pode levar países de alta renda a perdas de até 8% do Produto Interno Bruto até 2050, caso as ineficiências do setor não sejam enfrentadas.

Além disso, perdas em redes de distribuição continuam elevadas. Nos Estados Unidos, vazamentos desperdiçaram o equivalente a US$ 7,6 bilhões em água tratada em 2019, valor que pode chegar a US$ 16,7 bilhões até 2039. Investimentos em sensores, bombas eficientes e sistemas de medição inteligente são apontados como medidas capazes de reduzir perdas e aumentar a eficiência energética.

Para Kim Fausing, o avanço depende da adoção de regulações mais ambiciosas, metas claras de eficiência hídrica e incentivos que estimulem o uso de tecnologias comprovadas, como detecção de vazamentos, gestão de pressão e otimização energética. Ele defende que governos incluam a eficiência hídrica em auditorias energéticas e estabeleçam metas nacionais para reutilização industrial da água, reforçando que cada gota economizada representa menos energia desperdiçada ao longo do ciclo hídrico.

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