Horta, coleta seletiva e uso consciente de recursos ajudam estudantes a transformar o tema em hábito desde a infância
A Semana Mundial do Meio Ambiente reforça o papel das escolas na formação de crianças mais conscientes sobre os cuidados com a natureza. Entre as iniciativas que podem ser desenvolvidas nas instituições estão hortas escolares, campanhas de economia de água e energia, coleta seletiva, compostagem, oficinas com materiais reutilizáveis, feiras de troca de livros e brinquedos, além de atividades de observação da natureza no entorno da escola. São práticas que ajudam os estudantes a perceberem que sustentabilidade não está apenas nas grandes discussões, mas também no modo como consomem, descartam, conservam e compartilham os recursos.
“Quando a criança participa de uma ação concreta, ela entende que o cuidado com o meio ambiente começa nas pequenas escolhas, pois o aprendizado ganha mais sentido quando é visto, tocado e vivido. A escola tem um papel importante nessa questão, porque transforma o tema em vivência, em responsabilidade e em hábito”, afirma Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista do Vale do Paraíba.
A horta é um dos exemplos mais próximos da realidade das crianças. Ao plantar uma semente, acompanhar o crescimento da muda e participar da colheita, o aluno entende que o alimento depende de tempo, solo, água, luz e cuidado. A experiência também abre espaço para conversas sobre alimentação, desperdício, preservação e responsabilidade coletiva.
No Colégio Adventista de Guarulhos, no bairro Gopouva, os estudantes participam de um projeto que envolve semeadura, cultivo e colheita. A atividade se conecta às aulas da educação bilíngue, com momentos de degustação que ampliam o vocabulário e relacionam o aprendizado de outro idioma a situações reais do dia a dia.
Essa proposta mostra como a educação ambiental dialoga com diferentes áreas do conhecimento. Em Ciências, os alunos observam o ciclo das plantas e a importância da água. Em Matemática, acompanham medidas, quantidades e tempo de crescimento. Em Língua Portuguesa, produzem relatos, cartazes e campanhas de conscientização. Nas aulas bilíngues, associam palavras a alimentos, cores, sabores e ações concretas.
“A sustentabilidade ganha força quando deixa de aparecer apenas em datas comemorativas e passa a fazer parte da rotina. A criança que aprende a cuidar de uma horta, a evitar desperdício ou a separar resíduos leva esse olhar para casa, influenciando a família”, comenta Ricardo de Giuli Barbosa, diretor do colégio.
A educação ambiental na escola também estimula a cooperação. Muitos projetos dependem do trabalho em grupo, da divisão de tarefas e da continuidade dos cuidados. A horta, por exemplo, não cresce em um único dia: exige acompanhamento, paciência e compromisso, assim como a coleta seletiva e o uso consciente da água, que só funcionam quando todos colaboram.
Ao tratar o tema dessa forma, a escola ajuda a criança a compreender que o meio ambiente não está separado da vida cotidiana. Ele aparece no alimento servido no prato, na água usada para lavar as mãos, no papel descartado após a atividade, no brinquedo que pode ser reaproveitado e no espaço coletivo que precisa ser preservado.
