“Sem Azul Não Há Verde”, da aliança SOS Oceano, transforma conservação marinha em tema de alcance nacional e conquista reconhecimento no maior festival de criatividade do mundo
A proteção do oceano brasileiro ganhou projeção internacional com a premiação da campanha “Sem Azul Não Há Verde”, criada pela agência Droga5 para a aliança SOS Oceano, no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026. O reconhecimento celebra uma iniciativa que contribuiu para ampliar o debate público sobre a conservação marinha, mobilizando influenciadores, cientistas, organizações da sociedade civil e lideranças ambientais em torno da criação de novas áreas protegidas no país.
A campanha fortaleceu a atuação da coalizão SOS Oceano, formada por organizações dedicadas à conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros, entre elas a Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, NEMA, Golfinho Rotador, Divers for Sharks, Cátedras Unesco e Tubarões e Raias de Noronha. A mobilização teve o apoio de cerca de 50 organizações da sociedade civil e mais de 40 influenciadores e personalidades, incluindo Anitta, Alok e Luana Piovani, além do líder indígena Raoni Metuktire e do ambientalista canadense Paul Watson, embaixador da campanha.
“A campanha transmite uma mensagem simples e poderosa: sem oceano saudável não existem florestas saudáveis e nem equilíbrio climático. Ao aproximar esse tema da sociedade, conseguimos ampliar a visibilidade da necessidade de proteger ecossistemas marinhos estratégicos e reforçar a defesa de novas unidades de conservação costeiras e oceânicas”, afirma Angela Kuczach, articuladora da coalizão.
Segundo Maria Carolina Contato, diretora do NEMA, organização gaúcha que há mais de 20 anos atua pela proteção do Albardão, a conquista foi resultado de um processo construído ao longo de anos por pesquisadores, comunidades locais, organizações da sociedade civil e órgãos ambientais. “A campanha ajudou a dar visibilidade nacional a uma pauta que, por muitos anos, permaneceu restrita a especialistas e organizações da sociedade civil. Embora cerca de 26% da área marinha do país esteja sob alguma categoria de proteção, apenas uma pequena parcela conta com proteção integral efetiva. Avançar na criação e implementação dessas áreas é fundamental para que o Brasil cumpra seus compromissos internacionais de conservação”, afirma.
Premiada na categoria Print & Publishing Lions, que reconhece campanhas que utilizam meios impressos, editoriais ou sua linguagem visual para comunicar uma mensagem de forma criativa e impactante, a campanha teve como inspiração uma frase da oceanógrafa Sylvia Earle, uma das maiores referências mundiais em conservação marinha.
“Nosso desafio era transformar uma pauta complexa em algo impossível de ignorar. ‘Sem Azul Não Há Verde’ nasceu da ideia de que proteger o oceano não é algo restrito aos ambientalistas, mas uma questão que impacta a vida de todos nós. Ver esse trabalho reconhecido em Cannes reforça que a criatividade pode ampliar conversas importantes e mobilizar mudanças reais”, comenta Gabriela Rodrigues, chief impact officer da Droga5.
Para Diego Limberti, chief creative officer da Droga5, o Leão também representa um reconhecimento à força do design brasileiro no cenário internacional. “Quando conceito, execução e propósito caminham juntos, o craft deixa de ser apenas uma linguagem visual e se torna uma ferramenta capaz de gerar entendimento, emoção e impacto. Esse prêmio mostra que a criatividade brasileira continua relevante quando colocam grandes ideias a serviço das pessoas e da sociedade.”
Além do Albardão, outras áreas estratégicas para a conservação marinha são consideradas prioritárias pela coalizão nos próximos anos, entre elas o arquipélago de Fernando de Noronha e a região da Foz do Amazonas, reconhecidas por sua excepcional biodiversidade e por seu papel fundamental na manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais para o equilíbrio climático e o desenvolvimento sustentável do país. Lançada às vésperas da COP30, a SOS Oceano tem contribuído para fortalecer a agenda de conservação marinha no Brasil, em um contexto de crescente mobilização internacional para ampliar a proteção dos oceanos e cumprir a meta global de conservar 30% das áreas marinhas até 2030.
