Com aumento do consumo de embalagens em períodos de grande mobilização, a Cirklo defende que reciclagem seja tratada como infraestrutura produtiva, conectando marcas, cooperativas, recicladores e indústria
Grandes eventos esportivos, culturais e corporativos movimentam turismo, bares, restaurantes, varejo, ativações de marca e uma ampla cadeia de consumo. Em períodos como a Copa do Mundo, esse movimento ganha ainda mais escala, com maior circulação de alimentos, bebidas e embalagens. Para a Cirklo, empresa brasileira de economia circular, esse cenário deve ser visto como uma oportunidade para fortalecer o mercado da reciclagem e ampliar a reinserção de materiais reciclados na cadeia produtiva.
A avaliação da companhia é que eventos de grande porte podem funcionar como catalisadores da economia circular, desde que o ciclo das embalagens seja planejado de forma integrada: do consumo à coleta, triagem, reciclagem, rastreabilidade e retorno do material como matéria-prima para a indústria.
“O grande evento concentra consumo, mas também concentra oportunidade. Quando uma embalagem pós-consumo é corretamente destinada e retorna como matéria-prima, toda a cadeia ganha: marcas, consumidores, cooperativas, recicladores, indústria e meio ambiente. A reciclagem precisa ser vista como infraestrutura produtiva para a economia circular”, afirma Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo.
O Brasil já tem uma trajetória relevante na reciclagem de PET. Segundo dados do 13º Censo de Reciclagem da ABIPET, o país reciclou aproximadamente 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, o equivalente a 53% das embalagens descartadas. O modelo bottle-to-bottle, em que o PET reciclado retorna para novas embalagens, já representa 37% do destino do PET reciclado no Brasil, tornando-se a principal aplicação da resina reciclada.
Para a Cirklo, esses números mostram que a reciclagem de PET deixou de ser apenas uma agenda ambiental ou de gestão de resíduos. A cadeia evoluiu em tecnologia, controle de qualidade, descontaminação, rastreabilidade, certificações e aplicações de maior valor agregado, passando a ocupar um papel estratégico para a indústria de embalagens, para as marcas que buscam ampliar o uso de conteúdo reciclado e para a redução da dependência de matéria-prima virgem. “Hoje, o debate não pode se limitar à pergunta sobre o que fazer com o resíduo depois que ele é gerado. Precisamos avançar para uma visão de cadeia: como desenhar embalagens recicláveis, como garantir coleta e triagem eficientes, como gerar matéria-prima reciclada de qualidade e como ampliar o uso desse material em novas embalagens”, reforça Irineu Bueno Barbosa Junior.
Esse avanço ganha ainda mais relevância diante do Decreto 12.688/2025, que regulamenta a Política Nacional de Economia Circular do Plástico e reforça a importância da logística reversa, da responsabilidade compartilhada e da ampliação do uso de material reciclado nas embalagens. Para a Cirklo, a regulamentação representa um passo importante para dar mais previsibilidade e escala à economia circular no país, ao reconhecer que a gestão das embalagens pós-consumo depende de uma cadeia integrada, com coleta, rastreabilidade, reciclagem de qualidade e demanda consistente por resina reciclada.
A reciclagem de PET também tem papel social relevante no Brasil. A cadeia envolve cooperativas, catadores, operadores logísticos, recicladores, transformadores e brand owners, com impacto direto na geração de renda, na formalização de atividades e na valorização de uma rede essencial para a circularidade das embalagens no país.
“Não basta coletar. A circularidade acontece quando o material retorna para a indústria com qualidade, rastreabilidade e valor econômico. Esse é o ponto central: transformar resíduo em matéria-prima e criar condições para que o reciclado seja cada vez mais incorporado pelas cadeias produtivas”, afirma o CEO da Cirklo. “Grandes eventos ajudam a tornar essa discussão mais visível. Eles mostram que consumo e circularidade precisam caminhar juntos. O Brasil tem conhecimento técnico, cadeia estruturada e empresas preparadas para avançar. O desafio é ampliar a integração entre quem consome, quem coleta, quem recicla e quem reincorpora o material reciclado em novas embalagens”, conclui.
