Carta de intenções aproxima agendas de fortalecimento comunitário, certificação socioambiental, sociobiodiversidade e políticas públicas
O FSC Brasil e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) assinaram uma carta de intenções para fortalecer o manejo florestal comunitário e familiar na Amazônia, com ações voltadas à certificação, à qualificação de empreendimentos comunitários e à valorização dos serviços ecossistêmicos.
A assinatura ocorreu durante a Assembleia Geral do FSC Brasil, em Belém (PA), e representa um primeiro passo para uma cooperação que poderá se desdobrar em projetos específicos, planos de trabalho, intercâmbios técnico-institucionais, termos de cooperação e captação conjunta de recursos. A parceria também prevê incidência institucional, com diálogo e articulação com governos, organizações da sociedade civil e outros atores estratégicos para apoiar a implementação e o aprimoramento de políticas públicas relacionadas ao manejo florestal comunitário e familiar.
A aproximação acontece em um momento estratégico para essa agenda no Brasil. Entre os referenciais da cooperação está o Programa Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar (PMFC), instituído pela Portaria MMA/MDA 1.705, em junho de 2026, que busca fortalecer empreendimentos comunitários, fomentar a bioeconomia florestal e ampliar a conservação ambiental com geração de renda para povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.
“A carta de intenção surge da identificação de sinergias entre as agendas do IEB, especialmente no fortalecimento institucional de organizações comunitárias para o manejo florestal, e do FSC, que atua fortemente com certificação socioambiental e promoção de serviços ecossistêmicos”, afirma Manuel Amaral, coordenador executivo do IEB.
Embora a maior parte da área total sob manejo na Amazônia ainda seja de concessões e propriedades privadas, a população que vive e maneja a floresta é formada majoritariamente por agricultores familiares, extrativistas, ribeirinhos e povos indígenas em Unidades de Conservação de Uso Sustentável e Territórios Indígenas.
“Na Amazônia, o manejo está nas mãos de dezenas de milhares de famílias tradicionais que habitam as Unidades de Conservação de Uso Sustentável, como Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Se queremos manter a floresta em pé, precisamos transformar esse trabalho comunitário em renda real, valorizando quem já cuida da floresta no dia a dia”, diz Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC Brasil.
A parceria entre IEB e FSC Brasil também reforça que a conservação da biodiversidade vai além da produção madeireira. O trabalho conjunto prevê formações, pesquisas e estudos práticos sobre governança territorial e economia florestal, além de impulsionar a certificação de produtos não madeireiros. “Conservar a floresta exige olhar para tudo o que ela produz. Nesse sentido, a certificação de produtos não madeireiros é fundamental para incrementar a renda, dar escala e fortalecer cadeias que ainda são muito pouco aproveitadas no Brasil”, acrescenta Lima.
