Estado registrou 305 mil hectares atingidos pelo fogo no último ciclo seco e prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão, o que acelera ações integradas entre setor florestal, governo e Corpo de Bombeiros para o período de estiagem de 2026
Com o período de estiagem, Minas Gerais intensifica uma articulação entre setores do agro, governo e órgãos de resposta a emergências para reduzir o impacto dos incêndios florestais. A iniciativa surge após um cenário crítico registrado no último ciclo seco, quando o estado contabilizou cerca de 305 mil hectares atingidos pelo fogo, com prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão, afetando áreas produtivas, vegetação nativa e operações industriais.
A estratégia é liderada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em articulação com entidades do setor produtivo e instituições públicas. Nesse contexto, destaca-se a atuação da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), que passa a integrar novos instrumentos de coordenação, como o Programa Minas Contra o Fogo e o Plano de Auxílio Mútuo Florestal (PAM Florestal), iniciativa que promove a integração das empresas do setor em ações coordenadas de prevenção, monitoramento e resposta rápida.
Minas Gerais concentra a maior área de florestas plantadas do país, com aproximadamente 2,3 milhões de hectares, distribuídos em 803 municípios. Além da relevância econômica, o setor mantém mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada, área comparável à ocupada pela cultura do café no estado.
“Estamos diante de um cenário em que a prevenção precisa ser estruturada de forma coletiva. O setor florestal investe de maneira permanente em brigadas, monitoramento e infraestrutura, mas a efetividade da resposta depende da integração com o poder público e com os sistemas estaduais de combate”, afirma Adriana Maugeri, presidente executiva da AMIF.
Um dos pilares da estratégia para 2026 é a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que formaliza a atuação conjunta entre brigadas privadas e forças estaduais. O acordo prevê compartilhamento de recursos operacionais, apoio logístico em áreas críticas e atuação coordenada em ocorrências de maior complexidade, especialmente em regiões de interface entre áreas produtivas e vegetação nativa.
“O combate ao fogo florestal depende de velocidade de resposta. Em muitos casos, minutos fazem diferença entre um foco controlado e um incêndio de grandes proporções. A integração operacional é o ponto central dessa estratégia”, explica Laura Lima, engenheira florestal e coordenadora técnica da AMIF.
O PAM Florestal reúne empresas para atuação colaborativa em situações de emergência, permitindo o compartilhamento de equipes, equipamentos, caminhões-pipa, sistemas de monitoramento e estruturas de apoio. Além da resposta emergencial, o plano organiza ações preventivas conjuntas, como a construção de aceiros, limpeza de margens de rodovias, monitoramento por torres de observação e uso de sistemas tecnológicos para detecção de focos de calor em tempo real.
“A experiência dos últimos anos mostra que a maior parte dos grandes incêndios poderia ser evitada com detecção precoce e manejo preventivo. O investimento privado tem crescido justamente nessa direção, com tecnologia e estrutura dedicada à prevenção”, destaca Adriana Maugeri.
O impacto econômico dos incêndios do ciclo anterior reforça a necessidade de articulação. Além dos R$ 1,2 bilhão em prejuízos diretos, o fogo atingiu áreas produtivas e gerou impactos operacionais em cadeias industriais ligadas à madeira, energia e celulose. O setor florestal mineiro mantém uma das estruturas privadas mais robustas do país em combate a incêndios, com brigadas próprias, caminhões equipados, sistemas de monitoramento e bases operacionais distribuídas pelo território.
Com a entrada do período seco, a estratégia integrada busca reduzir o impacto dos incêndios por meio de ações coordenadas, ampliação da capacidade de resposta e fortalecimento da cultura de prevenção, incluindo campanhas de conscientização e ações educativas em regiões rurais.
