Vida Mais Sustentável

Sistema próprio de monitoramento climático e de focos de calor protege áreas produtivas e 445 agricultores familiares no Pará

Plataforma reúne dados georreferenciados para orientar brigadas, agilizar a resposta a incêndios e ampliar a proteção das áreas produtivas da Agropalma e de parceiros

Os eventos climáticos extremos representam um desafio crescente para o agronegócio brasileiro, especialmente na região Norte do país, onde a produção geralmente se correlaciona com a floresta. Um estudo recente do Projeto Amazônia 2030 revela que os prejuízos agropecuários registrados na Amazônia Legal somaram cerca de R$ 6 bilhões entre 2021 e 2024, impulsionados pela vulnerabilidade a secas e incêndios florestais.

Diante da intensificação do El Niño e dos riscos associados ao fenômeno, empresas do agro que atuam na região amazônica se preparam para proteger suas produções. A Agropalma, empresa brasileira do grupo Daabon, referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, criou um Sistema de Informação Geográfica (SIG/GIS), de uso proprietário, para acompanhar as condições climáticas e identificar focos de calor. A solução apoia decisões relacionadas ao manejo agrícola e à prevenção de queimadas.

Elaborada com o auxílio de inteligência artificial pelas equipes de Fitotecnia, Agricultura de Precisão e Geoprocessamento da companhia, a plataforma utiliza o sistema ArcGIS e combina dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com informações de satélites e sensores da Nasa. O cruzamento alimenta painéis interativos, configurados para as equipes responsáveis pelo acompanhamento das lavouras e pelo combate ao fogo.

A análise das condições climáticas subsidia o planejamento agrícola. Por ser uma cultura perene, a palma tem seu desenvolvimento e sua produtividade influenciados pelo clima ao longo do ciclo. Com informações meteorológicas e registros locais, a ferramenta permite antecipar decisões de manejo e orientar medidas preventivas diante de eventos adversos.

A plataforma também rastreia focos de calor de forma georreferenciada, distinguindo ocorrências dentro das propriedades daquelas registradas nas áreas vizinhas. A cobertura alcança um raio de até cinco quilômetros além dos limites das fazendas, o que permite identificar ameaças antes que se aproximem das áreas produtivas. Atualmente, a Agropalma conta com oito pontos de monitoramento dentro de sua propriedade e outros oito em municípios paraenses: Acará, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba, Moju, Tailândia e Tomé-Açu, totalizando 16 pontos de observação.

A ferramenta contempla ainda as propriedades vinculadas ao Programa de Agricultura Familiar, que beneficia 445 agricultores familiares e 64 produtores integrados. “O pequeno produtor muitas vezes não tem acesso a tecnologias avançadas de previsibilidade climática ou monitoramento em tempo real. Ao incluirmos essas propriedades no nosso sistema, conseguimos alertá-los rapidamente sobre qualquer foco de calor que se aproxime de suas terras, ajudando a proteger o seu sustento e a vida dessas famílias”, afirma Anderlon Andrade, coordenador técnico em agricultura de precisão da Agropalma.

Diariamente, o sistema consolida as detecções e emite um Boletim de Monitoramento de Queimadas para gestores e brigadistas, com mapa operacional, coordenadas exatas dos focos e distância em relação às fazendas. O nível operacional de risco é classificado por cores: verde, para risco baixo e acompanhamento preventivo; amarelo, para moderado; laranja, para alto; e vermelho, para crítico, com avaliação imediata e acionamento das equipes de combate.

“Quando utilizávamos plataformas padronizadas, lidávamos com falsos alertas, o que dificultava saber a exata distância de um foco de incêndio. Ao criarmos nossa própria solução, ganhamos autonomia. A tecnologia proporciona avaliar melhor a localização dos focos e sua proximidade das áreas monitoradas, evitando deslocamentos desnecessários de maquinário e contribuindo para a segurança das equipes”, complementa Andrade.

O coordenador destaca a importância da preditividade. “Por vezes, dentro de nossa propriedade ou na de algum parceiro não temos nenhum foco de incêndio, mas em terras vizinhas, sim. O programa nos mantém em alerta sobre isso, pois, dada a dinâmica dos ventos e a secura local, as cinzas ou a fuligem que se espalham podem provocar uma queimada em nossas terras.”

O sistema integra as ações de prevenção de incêndios relacionadas aos compromissos ambientais da Agropalma, e os registros gerados permitem que as equipes de Meio Ambiente e Sustentabilidade acompanhem possíveis ocorrências. A ferramenta está alinhada ao critério 7.6.6 dos Princípios e Critérios da certificação internacional da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), que prevê procedimentos para mitigar o risco de incêndios nas áreas certificadas, com participação das partes interessadas.

A implementação do painel interativo é a primeira fase da ampliação da digitalização das operações. Com a expansão da infraestrutura de telecomunicações, o próximo passo é garantir autonomia mobile para as equipes de linha de frente, reduzindo a dependência exclusiva do rádio. “O principal impacto de conceber uma ferramenta proprietária é podermos adaptá-la quase 100% à nossa realidade. Nossa visão de futuro é que cada brigadista e cada caminhão-pipa tenham autonomia com um smartphone na mão. O objetivo é que o aplicativo trace automaticamente a rota mais curta até o foco de incêndio e indique os pontos de captação de água mais próximos. Com a nova rede de comunicação, haverá maior autonomia e uma capacidade de resposta ainda mais imediata”, finaliza Andrade.

Sair da versão mobile