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Apoio antecipado de doadores ao ACNUR ultrapassa US$ 1 bilhão para 2026, mas lacunas no financiamento deixam milhões de refugiados em risco

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Foto: ACNUR/Benjamin Mast

Contribuições governamentais e doadores privados somam US$ 1,5 bilhão, o que cobre apenas 18% das necessidades projetadas para o próximo ano

Governos e doadores anunciaram US$ 1,161 bilhão em apoio antecipado ao ACNUR para 2026. O valor, apresentado em conferência em Genebra, supera ligeiramente o montante comprometido no ano anterior. Com a inclusão de US$ 350 milhões provenientes de parceiros privados, o total chega a US$ 1,5 bilhão. Apesar do volume expressivo, ele cobre apenas 18% das necessidades da agência para o próximo ano.

Os compromissos incluem contribuições plurianuais até 2027 e reforçam o planejamento de longo prazo. Outras doações podem ser anunciadas nos próximos meses, especialmente de países cujas leis orçamentárias impedem compromissos antecipados.

Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados, destaca a importância do financiamento previsível. “Os cortes deste ano resultaram em menos proteção, menos assistência e mais instabilidade. Os compromissos de hoje mostram que o mundo não ignorou quem foi forçado a fugir. Financiamento flexível nos dá a salvaguarda para agir rapidamente em novas emergências”, afirmou.

Entre os principais contribuintes estão Dinamarca, Alemanha, Japão, Países Baixos, Noruega, além de aumentos de Irlanda, Luxemburgo e Islândia. A União Europeia confirmou recursos já comprometidos para 2026. Áustria e Espanha também passam a integrar o grupo de apoiadores.

Um ponto de alerta é a queda nos fundos não vinculados a países ou projetos específicos: apenas 17% do total, metade do registrado em 2023. Isso limita a capacidade de resposta do ACNUR em emergências. Noruega, Dinamarca, Alemanha, Suíça e Irlanda foram os que mais destinaram recursos irrestritos.

O financiamento flexível neste semestre permitiu alcançar mais de 8 milhões de pessoas com serviços essenciais, incluindo assistência jurídica, documentação e proteção infantil. Foram realizadas mais de 6 milhões de consultas de saúde e ampliado o acesso a água e saneamento para quase 5,9 milhões de pessoas.

Mesmo assim, cortes já provocaram efeitos severos. No Afeganistão, serviços de proteção para mulheres e meninas foram reduzidos pela metade. No Sudão do Sul, 75% dos espaços seguros para mulheres e meninas foram fechados. No Líbano, mais de 83 mil refugiados perderam assistência de abrigo.

Grandi reforçou a urgência de financiamento estável. “Precisamos preservar os ganhos conquistados com grande esforço em educação, proteção infantil e resposta à violência sexual. Muitos refugiados querem voltar para casa: cerca de 2 milhões o fizeram este ano, o maior número em uma década. Com apoio firme, podemos tornar esses retornos mais seguros e sustentáveis.”

Nos primeiros seis meses de 2025, cerca de 7 milhões de pessoas deslocadas retornaram aos seus lares, incluindo 2 milhões de refugiados — um recorde em dez anos.

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