Programa do Instituto CEJAM conecta saúde pública, meio ambiente e participação social por meio de hortas, reciclagem, arborização e ações de adaptação climática em regiões vulneráveis da capital paulista
São Paulo, junho de 2026 – As mudanças climáticas passaram a impactar diretamente a rotina dos serviços de saúde, especialmente em áreas urbanas mais vulneráveis. Ondas de calor, aumento de doenças respiratórias, insegurança alimentar, enchentes e descarte inadequado de resíduos estão entre os fatores que afetam a qualidade de vida da população. Nesse contexto, iniciativas que integram saúde pública e sustentabilidade ganham relevância como estratégias de cuidado e fortalecimento dos territórios.
Com esse objetivo, o CEJAM Ambiental, programa do Instituto CEJAM, desenvolve ações que unem assistência à saúde, educação ambiental, gestão de resíduos, agroecologia e mobilização comunitária nas regiões atendidas pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, em parceria com o poder público.
Segundo Michele Assunção, analista de Sustentabilidade do Instituto CEJAM, a proposta parte do entendimento de que saúde e meio ambiente estão diretamente relacionados.
“Questões como mudanças climáticas, insegurança alimentar, descarte irregular de resíduos e degradação ambiental também são determinantes de saúde. Por isso, buscamos fortalecer territórios mais resilientes e sustentáveis, promovendo qualidade de vida, conscientização socioambiental e cuidado integral com as comunidades”, afirma.
Nas unidades de saúde, as iniciativas incluem gestão adequada de resíduos, eficiência hídrica e energética, compras sustentáveis e redução de emissões. Já nos territórios, as ações envolvem agroecologia, economia circular, arborização urbana e educação ambiental.
Em 2025, o CEJAM publicou seu primeiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, registrando 4.559 toneladas de CO₂ inventariadas. O levantamento integra uma estratégia voltada à mitigação dos impactos climáticos e ao fortalecimento da resiliência das unidades de saúde diante de eventos extremos.
“A saúde já sente diretamente os impactos das mudanças climáticas, seja pelo aumento de doenças respiratórias, arboviroses, insegurança alimentar ou impactos na saúde mental. Organizações de saúde têm papel fundamental tanto na mitigação quanto na adaptação dos serviços às emergências climáticas”, explica Michele.
Atualmente, o programa mantém 57 hortas em funcionamento, ocupando mais de 1.573 metros quadrados de área produtiva. As iniciativas incluem hortas educativas, comunitárias e o incentivo ao cultivo em pequenos espaços, como quintais, vasos e áreas externas das unidades de saúde.
Os espaços funcionam como ferramentas de educação alimentar, convivência comunitária e promoção da saúde mental.
“As hortas fortalecem a relação das pessoas com a alimentação e com o meio ambiente. Também estimulam a autonomia das famílias e a participação coletiva, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social”, destaca a analista.
Em 2025, o programa também promoveu o plantio de 506 mudas de árvores em ações realizadas nos territórios atendidos. A medida contribui para a redução das ilhas de calor, melhoria da qualidade do ar e ampliação das áreas verdes urbanas.
Outro eixo de atuação é a gestão de resíduos e a promoção da economia circular. Desde 2015, o Projeto Devolva-me implantou mais de 700 pontos de coleta para descarte adequado de pilhas, baterias, resíduos eletroeletrônicos e óleo vegetal usado em unidades de saúde, estabelecimentos comerciais e espaços parceiros.
Realizada em parceria com organizações especializadas em logística reversa e reciclagem, a iniciativa já destinou corretamente mais de 44 mil litros de óleo usado, 11 toneladas de pilhas e baterias e 21 toneladas de resíduos eletroeletrônicos.
Somente em 2025, mais de 13,7 toneladas de resíduos foram recolhidas nas comunidades para reciclagem, enquanto outras 366 toneladas de materiais recicláveis receberam destinação adequada nas unidades administradas pela instituição.
“O projeto incentiva a conscientização da população sobre consumo responsável, economia circular e os impactos ambientais e sanitários do descarte irregular desses resíduos”, afirma Michele.
O trabalho também inclui a participação no Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, desenvolvido pelo CEJAM nas regiões do Jardim Ângela e Capão Redondo, na zona sul da capital.
A iniciativa reúne Agentes de Promoção Ambiental e equipes da Estratégia Saúde da Família para a realização de diagnósticos socioambientais, visitas domiciliares e mobilizações comunitárias. Apenas em 2025, foram realizadas mais de 15 mil visitas socioambientais, além da revitalização de mais de 20 pontos de descarte irregular de resíduos, transformados em espaços de convivência para a população.
“As visitas proporcionam um cuidado territorializado e permitem identificar vulnerabilidades ambientais e sociais que impactam diretamente a saúde da população”, destaca a especialista.
As ações sustentáveis também alcançam a alimentação oferecida nas unidades administradas pelo CEJAM. Em 2025, mais de 56 mil refeições sem carne foram servidas, contribuindo para a redução dos impactos ambientais associados ao sistema alimentar.
Embora os números demonstrem a abrangência das iniciativas, os resultados aparecem principalmente no cotidiano das comunidades, com áreas degradadas transformadas em espaços produtivos, moradores envolvidos em ações ambientais, famílias cultivando alimentos e territórios mais preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Ao integrar sustentabilidade à rotina dos serviços de saúde e à vida comunitária, o CEJAM Ambiental amplia o conceito de promoção da saúde pública diante dos desafios ambientais e sociais das grandes cidades.







