O desafio nos aeroportos é conter incêndios externos antes que a fumaça alcance as pistas, sem reduzir a capacidade de resposta às demais emergências do terminal
Os incêndios em vegetação começaram a avançar em Goiás antes mesmo do auge da estiagem. Entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizadas 237 ocorrências, aumento de 55% em relação aos 152 registros do mesmo período de 2025. Ao longo do último ano, o estado superou quatro mil incêndios em vegetação, concentrados principalmente entre junho e outubro, quando a baixa umidade e a vegetação seca favorecem a propagação das chamas.
Nos aeroportos, o impacto não depende de o fogo alcançar diretamente as pistas: a fumaça produzida no entorno pode reduzir a visibilidade, interferir em aproximações, pousos e decolagens e provocar atrasos, desvios ou cancelamentos com reflexos sobre toda a malha aérea. A fumaça de queimadas é um fenômeno capaz de restringir a visibilidade operacional e é registrado nas informações meteorológicas quando a visibilidade cai para cinco mil metros ou menos.
O aumento do risco de queimadas modifica a rotina das equipes de emergência que atuam nos aeroportos, especialmente nos terminais localizados em regiões com longos períodos de estiagem. Presente em 54 aeroportos brasileiros, o Grupo Med+ participa dessas operações com bombeiros de aeródromo, profissionais de saúde e equipes de apoio, que precisam conciliar a vigilância sobre possíveis focos de incêndio com os demais atendimentos realizados diariamente.
Antes dos meses mais secos, são revisados planos de emergência, condições de viaturas, sistemas de comunicação, equipamentos de proteção e rotas de acesso às áreas mais vulneráveis. O monitoramento também depende da troca de informações com concessionárias, órgãos públicos, controle de tráfego e Corpo de Bombeiros, uma vez que incêndios iniciados fora dos limites do aeroporto podem avançar rapidamente ou produzir fumaça suficiente para afetar a visibilidade das pistas.
“A estiagem exige uma revisão mais frequente dos pontos considerados críticos e das condições dos equipamentos. O foco é garantir que cada profissional saiba qual procedimento deve seguir e com quem precisa se comunicar quando uma ocorrência é identificada”, afirma Bruna Reis, CEO do Grupo Med+.
A complexidade aumenta porque os bombeiros de aeródromo não atuam exclusivamente no combate a incêndios em vegetação. As equipes também atendem emergências médicas, acidentes com veículos, remoções, presença de animais e ocorrências envolvendo aeronaves, passageiros e tripulações. Em um cenário de queimadas, parte dessa estrutura pode ser deslocada para controlar as chamas sem comprometer os demais atendimentos do terminal, o que exige dimensionamento de pessoal, definição prévia de funções e coordenação entre diferentes setores.
Mesmo quando o fogo está distante, mudanças na direção do vento podem levar a fumaça até a área de aproximação das aeronaves, obrigando as autoridades aeroportuárias a avaliar restrições temporárias, alterações de rota ou interrupções operacionais. “O principal desafio é impedir que uma ocorrência externa avance para dentro da operação aeroportuária. A distância do incêndio, a intensidade da fumaça, a direção do vento e as condições de visibilidade precisam ser avaliadas em conjunto, porque são esses fatores que determinam o impacto sobre pousos e decolagens”, explica Victor Reis, presidente do Grupo Med+.







