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Universidade pesquisa o uso de casca de pinhão para produção de carvão ativado

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Foto: Bruno Zulian

Testes estão em fase inicial para identificar propriedades e o potencial de ativação da casca

Pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências Ambientais (PPGECAM) da Universidade de Caxias do Sul (UCS) realizam uma pesquisa com o objetivo de transformar a casca do pinhão em carvão ativado. O material, utilizado no tratamento de água, efluentes industriais e na filtragem de emissões atmosféricas, pode ganhar uma matéria-prima regional especialmente durante a época de safra da semente da araucária.

O projeto é coordenado pelo professor Lademir Luiz Beal, com a colaboração dos pesquisadores Rafael Spohr e Lucas David e da estudante de Biomedicina Sara Brasil. Spohr afirma que a iniciativa faz parte de um histórico de aproveitamento de subprodutos regionais que a UCS vem explorando. “No final do ano passado, trabalhamos com carvão ativado feito a partir de caroço de pêssego. Então, é natural que venha essa ideia de aproveitar algo que é próprio da nossa região, como a casca do pinhão. Especialmente entre o outono e o inverno, que há uma grande produção da semente. Conseguir dar uma finalidade útil a essa casca para produzir carvão ativado faz com que as pessoas percebam que aquilo que elas costumam jogar fora pode virar um produto de valor comercial e ambiental”, destaca.

O carvão ativado é utilizado por órgãos de saneamento para despoluição de recursos hídricos e esgotos, além de ser empregado como filtro para conter a emissão de gases industriais. A pesquisa busca avaliar o potencial da casca do pinhão para essa mesma finalidade. Embora o carvão ativado possa ser obtido a partir de diversos materiais, os pesquisadores explicam que a casca do pinhão possui propriedades físicas e químicas diferentes. O objetivo é mapear características para avaliar se o produto apresenta diferenciais técnicos em relação aos materiais já utilizados.

Por se tratar de um estudo preliminar, a pesquisa está sendo conduzida em escala de teste no laboratório. “A quantidade de pinhão necessária para o estudo inicial não é grande, fica em menos de dez quilos. Trata-se de uma fase preliminar para identificar propriedades e ver o potencial de ativação do material. A partir desses resultados, o projeto poderá crescer”, pontua Spohr. O cronograma total das pesquisas, ensaios de absorção e análises práticas deve levar entre seis meses e um ano.

Para desenvolver a pesquisa, a casca do pinhão passará por dois processos: pirólise e ativação química. “A pirólise é, em linhas gerais, um tratamento térmico na ausência de oxigênio para transformar moléculas grandes em moléculas menores. Após essa etapa, ocorre a ativação química do carvão obtido, responsável por causar uma das principais características do carvão ativado: o aumento drástico na sua área superficial, sendo extremamente eficiente na absorção de impurezas. Podemos chegar a um resultado maravilhoso com um material de propriedade única, ou concluir que ele se comporta como qualquer outro carvão ativado tradicional. De qualquer forma, o resultado gerado é ciência e serve de base para novos estudos”, ressalta Spohr.

Os dados devem fundamentar artigos científicos e, caso sejam descobertas propriedades ou técnicas inovadoras, o grupo estuda a possibilidade de registrar patentes para os processos desenvolvidos.

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