Projeto piloto em Paracatu (MG) utiliza georreferenciamento, monitoramento por satélite e blockchain para acompanhar a restauração de mais de dez hectares e fortalecer a rastreabilidade ambiental
A Kinross Brasil Mineração iniciou, em Paracatu (MG), um projeto piloto para rastrear digitalmente dez mil mudas nativas destinadas à recuperação de mais de dez hectares de áreas em reabilitação ambiental. Desenvolvida em parceria com a startup brasileira Tree Earth, a iniciativa reúne georreferenciamento de alta precisão, monitoramento por satélite e registros em blockchain para acompanhar cada etapa do processo de restauração.
Cada muda recebeu um registro individual vinculado às suas coordenadas geográficas, permitindo acompanhar sua localização, histórico de campo, documentação técnica e evolução da área restaurada. As informações serão integradas em uma plataforma digital que reúne imagens de satélite, registros geoespaciais e evidências produzidas durante a execução do projeto.
“Mais que plantar árvores, precisamos construir confiança. A agenda climática exige soluções que integrem meio ambiente, desenvolvimento social e inovação tecnológica. Este projeto demonstra como a transformação digital pode fortalecer a gestão ambiental e gerar mais transparência para iniciativas de restauração”, destaca Alessandro Nepomuceno, diretor de sustentabilidade da Kinross.
Segundo a Tree Earth, a iniciativa representa um avanço na estruturação de um sistema de Mensuração, Reporte e Verificação (MRV), metodologia utilizada para organizar e documentar informações de projetos ambientais. O objetivo é ampliar a rastreabilidade das ações de recuperação, aumentar a transparência dos dados e criar uma base tecnológica para apoiar futuros processos de validação e certificação ambiental.
Criado em 2017, o Programa de Viveiros Comunitários da Kinross é desenvolvido em parceria com 20 famílias da comunidade de Santa Rita, em Paracatu. Os viveiros produzem cerca de dez mil mudas nativas do Cerrado por ano, incluindo espécies ameaçadas de extinção, utilizadas na recuperação ambiental de áreas da mineradora. Além dos benefícios ambientais, o programa gera trabalho e renda para as famílias participantes.
“A partir de agora, cada muda passa a ter um histórico digital que reúne sua localização, registros de campo, imagens de satélite e documentação técnica. Isso fortalece a rastreabilidade das ações ambientais e cria uma base confiável para a gestão de ativos ambientais e futuros processos de certificação”, afirma Vicente Tino, CEO da Tree Earth.
Além de apoiar o acompanhamento das áreas em recuperação, a plataforma permitirá consolidar informações desde a produção das mudas até o monitoramento da vegetação ao longo do tempo, facilitando auditorias, inspeções técnicas e processos de comprovação ambiental. A expectativa da Kinross é que o projeto piloto se torne referência para a digitalização de programas de recuperação ambiental e reabilitação de áreas mineradas no Brasil, integrando tecnologia, conservação do Cerrado e desenvolvimento comunitário.







