Pesquisadora reforça o papel da escola na formação humana e no desenvolvimento de responsabilidade e cuidado com o planeta
Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e pressões sociais cada vez mais complexas, a escola assume papel central na formação de cidadãos capazes de compreender e enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo.
A ecopedagogia, abordagem educacional que busca uma relação mais profunda entre o ser humano e o meio ambiente, aponta caminhos para repensar a relação da sala de aula com temas como a crise climática e suas consequências para o meio ambiente. Essa perspectiva defende que os processos educativos precisam integrar ciência, cultura, território e responsabilidade socioambiental, promovendo experiências que conectem os sujeitos entre si e ao planeta.
Conectar conteúdos ao território e às vivências dos estudantes
Relacionar temas curriculares ao entorno imediato torna o aprendizado mais significativo. Observações de campo, análise de problemas ambientais locais ou investigações sobre o uso dos espaços públicos aproximam o estudante da realidade e fortalecem a compreensão da interdependência entre comunidade e natureza.
Promover atividades interdisciplinares e transdisciplinares
A crise climática não pode ser compreendida de forma isolada. Projetos que integram diferentes componentes curriculares, como Ciências, Geografia, Língua Portuguesa, Artes e Tecnologia, ampliam o olhar sobre a complexidade do mundo e contribuem para uma ecologia da aprendizagem.
Utilizar o diálogo como ferramenta central da prática pedagógica
A ecopedagogia valoriza a escuta, a reflexão conjunta e o respeito à diversidade. Debates, rodas de conversa e análise crítica de notícias ajudam os estudantes a desenvolver pensamento crítico, empatia e capacidade de enfrentar incertezas, aspectos essenciais em ambientes de transformação contínua.
Estimular experiências que integrem natureza, cultura e responsabilidade social
Hortas escolares, trilhas ecológicas, atividades de mapeamento do bairro ou ações comunitárias conectam estudantes ao ambiente e reforçam o compromisso ético com a vida, integrando conhecimento, sensibilidade e ação prática.
Incorporar recursos de educação aberta e materiais digitais
Plataformas e coleções formativas ampliam o acesso dos professores a conteúdos inovadores. A coleção Fronteiras que Conectam, desenvolvida pela PUCPRESS em parceria com a FTD Educação, é um material gratuito disponível para professores de todo o Brasil que integra ciência, meio ambiente, cultura e cidadania, estimulando práticas pedagógicas alinhadas à sustentabilidade. Os materiais estão disponíveis em portalconteudoaberto.com.br/parcerias/fronteiras-que-conectam.
Para Isabelle Porteles, pesquisadora e coautora do artigo acadêmico Ecoformação e Ecopedagogia: um olhar sistêmico para a transformação na Formação Continuada de professores da Educação Básica, a ecopedagogia representa mais do que uma tendência educacional: é uma exigência ética diante da crise socioambiental.
“A ecopedagogia amplia o papel da escola ao reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdo, mas desenvolver consciência, responsabilidade e pertencimento ao planeta. Quando professores e estudantes compreendem que suas ações estão profundamente conectadas à vida em todas as suas formas, criam-se as bases para uma educação que fortalece vínculos, desperta sensibilidade e impulsiona transformações reais. Cuidar do planeta começa pela forma como cuidamos da formação humana”, destaca Porteles, gerente de desenvolvimento educacional da FTD Educação.
O artigo é assinado por Isabelle Porteles, graduada em Letras e mestranda em Educação pela PUCPR; Cátia dos Santos Xavier, pedagoga e mestranda em Educação pela PUCPR; Daniele Saheb Pedroso, professora e mestre em Educação pela UFPR; e Raquel Kowalski, designer e professora com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Educação pela PUCPR.







