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Projeto florestal acompanha primatas e revela detalhes da vida no corredor do Rio Sucuriú

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O pai bugio (Foto: Sauá Consultoria Ambiental)

Os bugios Baru, Pequi e Bacuri estão entre os grupos monitorados em iniciativa da Arauco voltada à conservação da fauna

No corredor do Rio Sucuriú, em Inocência (MS), o monitoramento de primatas realizado pelo Projeto Sucuriú, da Arauco, em parceria com a Sauá Consultoria Ambiental, vem permitindo conhecer cada vez melhor os grupos que vivem na região. Durante o processo, as equipes registram a presença dos animais, sua dieta, acompanham a composição dos grupos, identificam nascimentos e observam o desenvolvimento dos filhotes ao longo do tempo.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, especialista de biodiversidade da Arauco.

O monitoramento, que inclui o uso de câmeras-trap, vem ampliando o conhecimento sobre a fauna presente na região. Já foram registrados tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica, além de um grupo de queixadas com mais de dez indivíduos.

As informações reunidas também serão utilizadas para acompanhar medidas de mitigação previstas no Projeto Sucuriú. Entre elas estão duas Passagens Superiores de Fauna, com aproximadamente 180 metros de vão livre, concebidas para restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

“Construir essa linha de base é fundamental para que possamos avaliar as medidas implantadas com dados concretos. Estamos falando de um acompanhamento de longo prazo, que permite incorporar o conhecimento sobre a fauna às decisões ambientais do projeto e verificar a efetividade das ações adotadas”, afirma Camila Paschoal, gerente executiva de meio ambiente da Arauco Celulose Brasil.

O trabalho ganha destaque em 1º de setembro, Dia Internacional dos Primatas. No Projeto Sucuriú, o monitoramento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), ambas classificadas na categoria Vulnerável (VU) no Brasil. Ao todo, nove grupos já foram identificados na área monitorada. Entre eles está a família de bugios formada por Baru, Pequi e Bacuri, pai, mãe e filhote, que ganhou nomes escolhidos pelo público após o registro do nascimento do filhote em uma votação com mais de 270 participantes.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

O monitoramento combina observação direta em campo, armadilhas fotográficas e drones equipados com sensores termais. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, foram identificados dois grupos. Com cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos no projeto. Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS-telemetria em macacos-prego.

Por viverem e se deslocarem predominantemente pelas árvores, bugios e macacos-prego dependem da continuidade das copas para acessar alimento, abrigo e outras áreas. Os primatas também desempenham papel importante nos ecossistemas: ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, dispersam sementes e contribuem para a regeneração e a diversidade da vegetação.

O trabalho desenvolvido no Projeto Sucuriú conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia, com destaque para o uso de drones termais no monitoramento de primatas e a combinação de diferentes métodos para acompanhar os animais e avaliar a conectividade da paisagem. A entrega do prêmio será realizada no dia 6 de outubro, durante solenidade da ABTCP.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas ao longo de cinco anos, com quatro campanhas de monitoramento por ano, para avaliar se as passagens de fauna cumprem a função de reconectar os ambientes após as obras.

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