Copa do Mundo se aproxima e estudos alertam sobre o impacto da indústria do futebol no meio ambiente
Com grandes eventos esportivos se aproximando, como a Copa do Mundo de 2026, diversas organizações estão com os sinais de alerta ligados para construir ambientes mais conscientes e sustentáveis dentro e fora dos estádios.
Pesquisas apontam que, anualmente, o futebol produz entre 64 e 66 milhões de toneladas de CO₂ — o equivalente a todas as emissões da Áustria ou 60% a mais que as do Uruguai — segundo o Scientists for Global Responsibility (SGR). De acordo com o mais recente relatório da entidade, a Copa do Mundo de 2026 deve gerar cerca de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso significa que a próxima edição do torneio poderá ser a que emitirá mais poluentes em toda a história do futebol mundial.
Recentemente, a Universidade Scuola Superiore Sant’Anna, de Pisa, criou o Projeto Garfield em parceria com quatro clubes europeus: Aris FC (Grécia), Betis (Espanha), Hoffenheim (Alemanha) e Porto (Portugal). A iniciativa busca combater o greenwashing — estratégia de marketing usada por empresas e clubes que se apresentam como sustentáveis, mas não cumprem os requisitos práticos da sustentabilidade.
O projeto incentiva as entidades esportivas a seguirem as diretrizes da Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), em vigor desde janeiro de 2023, que reforça a necessidade de divulgar informações sobre desempenho social, ambiental e de governança (ESG).
No Brasil, alguns clubes também têm buscado alternativas para conscientizar torcedores e incentivar atitudes mais responsáveis, contribuindo com as comunidades locais. Um exemplo é o programa de responsabilidade socioambiental e economia circular Recicla Junto, criado em 2019 pela Cristalcopo em parceria com o E.C. Criciúma, para coletar e reciclar os resíduos gerados durante os jogos.
Até hoje, a iniciativa já recolheu mais de 470 mil quilos de resíduos. Em agosto de 2025, o projeto ganhou ainda mais alcance ao firmar parceria com o Vasco da Gama, passando a atuar em todos os jogos da equipe no estádio São Januário, no Rio de Janeiro (RJ).
“Não podemos, jamais, perder a atenção para as questões ambientais que nosso planeta atravessa. É de suma importância a execução de mais projetos sustentáveis, principalmente nos próximos anos, que deixem de ser exceção e passem a fazer parte da rotina dos estádios em todo o território brasileiro e também fora do Brasil. As arquibancadas brasileiras, que proporcionam verdadeiros espetáculos e atraem milhões de pessoas, podem ser também exemplos para uma sociedade que preza pela construção de um mundo mais sustentável”, afirma Augusto Freitas, presidente-executivo da Cristalcopo e fundador do Recicla Junto.








