Novos dados destacam potencial inexplorado para precificar a água no planejamento corporativo – com oportunidade de retorno seis vezes superior ao investimento
As empresas estão diante de uma oportunidade trilionária: ao atribuir um valor real à água, podem se proteger contra riscos bilionários e, ao mesmo tempo, desbloquear crescimento de longo prazo. O CDP, maior plataforma independente de divulgação ambiental do mundo, registrou um aumento de 100% nas divulgações sobre água em 2024, mostrando como a conscientização sobre o tema cresce rapidamente. Ainda assim, os dados revelam que os negócios continuam subvalorizando a água — um risco que ameaça a resiliência, a inovação e a prosperidade futura.
As empresas reportaram US$ 339 bilhões em potenciais impactos financeiros relacionados a riscos hídricos, destacando a necessidade de maior preparo e segurança de longo prazo. Esses riscos estão se intensificando: dados da ONU mostram que, até 2030, a demanda global por água doce deve superar a oferta em 40%.
Apesar das crescentes evidências do valor estratégico, a prática de precificação interna da água — quando as empresas atribuem valor financeiro à água para embasar a tomada de decisões — permanece baixa. Das mais de 8.500 empresas que divulgaram informações sobre água em 2024, apenas 426 (5%) reportaram possuir um preço interno da água, e somente 290 (3%) foram além de simplesmente aplicar a tarifa externa. Em comparação, 2.097 empresas já utilizam um preço interno de carbono, revelando uma lacuna significativa na forma como riscos e oportunidades hídricas são incorporados ao planejamento financeiro em relação ao carbono.
Essa deficiência em atribuir valor à água tem um custo elevado. O impacto estimado de US$ 339 bilhões em riscos relacionados à água poderia ser mitigado com US$ 58,7 bilhões em investimentos — um retorno de seis vezes o valor aplicado. Ainda assim, as empresas têm diante de si uma oportunidade significativa de proteger suas operações, cadeias de suprimentos e resiliência de longo prazo.
As lacunas de visibilidade na cadeia de suprimentos são marcantes. Embora 70% das empresas que reportaram sobre água esteja tomando medidas para mapear sua cadeia de valor, 73% delas mapeiam apenas fornecedores diretos (Tier 1). Isso deixa vulnerabilidades significativas escondidas em cadeias globais, especialmente em setores de alto risco, como alimentos e agricultura, têxteis e semicondutores — onde a água é um insumo essencial, mas frequentemente presente de forma indireta na cadeia de suprimentos. Fechar essas lacunas poderia liberar um enorme potencial: empresas que reportaram via CDP identificaram US$ 1,4 trilhão em oportunidades relacionadas a água, mostrando que enfrentar riscos também gera novas vantagens ao longo da cadeia de valor.
Apenas 21% das empresas se engajam com seus fornecedores em questões relacionadas ao tema água, mas aquelas que já adotam essa prática estão definindo o padrão. Elas vão além do mapeamento, trabalhando junto a fornecedores para definir KPIs relacionados à água em contratos, desenvolver capacidades e até introduzir incentivos financeiros para bom desempenho.
As falhas de visibilidade na cadeia podem gerar desafios críticos à medida que a demanda por água acelera. A rápida expansão de data centers movida por IA sozinha pode consumir até 1,2 trilhão de litros de água por ano até 2030 — quase o equivalente ao uso anual da cidade de Nova York. Já 27% das empresas que reportaram sobre água afirmam ter se retirado de áreas com escassez hídrica, evidenciando como a escassez já molda estratégias corporativas.
Os setores mais expostos a riscos relacionados à água — e com maior potencial de ganhos a partir da ação — incluem manufatura, materiais e alimentos, bebidas e agricultura. Essas indústrias reportaram US$ 204 bilhões em oportunidades combinadas, ligadas à eficiência hídrica, tecnologias de reuso e cadeias de suprimentos resilientes.
“A diferença entre o custo da água e seu verdadeiro valor para os negócios não acompanha as expectativas de crescimento. A precificação de carbono já ajudou empresas a entender riscos e oportunidades; agora, precisamos da mesma clareza para a água. Ao usar dados positivos para a Terra, as empresas podem desbloquear insights que geram vantagem competitiva, fortalecem a resiliência e as colocam à frente de novos desafios. Não se trata apenas de gestão de risco. Trata-se de criar valor que beneficie empresas, sociedade e o planeta”, afirma Sherry Madera, CEO do CDP.








