
País participa do desenvolvimento do MOSAIC por meio do IAG/USP e do LNA/MCTI
O Brasil integra o consórcio internacional responsável pela construção do instrumento MOSAIC, que fará parte do Telescópio Extremamente Grande (ELT), instalado pelo Observatório Europeu do Sul no deserto do Atacama, no Chile. A participação nacional envolve o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo e o Laboratório Nacional de Astrofísica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que atuarão na construção do núcleo mecânico do instrumento, essencial para garantir estabilidade e precisão durante as observações.
O acordo foi assinado no dia 1º pelo Observatório Europeu do Sul e marca o início da construção do MOSAIC, que permitirá observar mais de duzentos alvos simultaneamente. O instrumento será usado para estudar a distribuição de matéria desde os primeiros bilhões de anos do Universo até períodos mais recentes.
O MOSAIC fará análises nas faixas visível e infravermelha. Ao dividir a luz em diferentes comprimentos de onda, será possível identificar elementos químicos, medir movimentos e investigar a formação de estruturas cósmicas. A professora Beatriz Barbuy, do IAG/USP, explica que a capacidade multiobjeto torna o instrumento único. Ela detalha que o espectrógrafo observa 140 estrelas ou galáxias em resolução média e 80 em alta resolução ao mesmo tempo, aumentando a eficiência do telescópio.
O ELT terá o maior espelho já construído para astronomia óptica e infravermelha, o que permitirá detectar objetos muito fracos e distantes. O MOSAIC compõe a segunda fase da primeira geração de instrumentos e ampliará o alcance das pesquisas em evolução de galáxias, distribuição de matéria e formação de elementos químicos.
O consórcio reúne instituições de 13 países da Europa, América do Norte e América do Sul. A participação brasileira ocorre por meio do IAG/USP e do LNA/MCTI.
A contribuição brasileira inclui o desenvolvimento do Instrument Core System, núcleo estrutural que sustenta e movimenta componentes do MOSAIC. A estrutura envolve plataforma mecânica, sistema de rotação que compensa o movimento da Terra e suporte para unidades ópticas, fibras e sistemas de calibração. Trata-se de um conjunto que exige alta precisão, pois não pode sofrer deslocamentos durante o funcionamento. A engenharia precisa manter estabilidade em estruturas de até 25 toneladas, com tolerância inferior a 50 mícrons.
A estrutura também abrigará o plano focal, onde ficam as fibras ópticas que conduzem a luz aos espectrógrafos. O conjunto inclui ainda a unidade de calibração, elementos de óptica adaptativa e o sistema de cabos, que precisa girar sem dobrar as fibras além do limite permitido.
O projeto conta com financiamento da Fapesp e parceria do LNA, ampliando a inserção brasileira em iniciativas internacionais que exigem engenharia de precisão, integração tecnológica e atuação multidisciplinar.
Do ponto de vista científico, o instrumento permitirá observar objetos muito mais fracos do que os telescópios atuais. Será possível estudar galáxias distantes, analisar a distribuição de gás e investigar a evolução dos elementos químicos desde os primeiros instantes do Universo. Segundo Barbuy, o ELT permitirá observar objetos de magnitude 24, ampliando de forma significativa os limites atuais da astronomia observacional.
O ELT deverá registrar sua primeira luz técnica no final da década. O MOSAIC, por integrar a segunda fase de instrumentos, terá cronograma próprio. Estimativas iniciais indicam que partes do equipamento poderão operar entre 2032 e 2035, com conclusão prevista para 2039. Os testes incluirão protótipos de cabos, validação de sistemas de rotação e análises de estabilidade.
A participação brasileira consolida competências em engenharia avançada e instrumentação científica, reforçando a presença do país em projetos de grande porte. Com o acordo firmado, o projeto segue para a fase de construção dos componentes. A contribuição nacional integra o grupo responsável por uma das partes fundamentais do futuro telescópio, que deverá ser uma das principais ferramentas da astronomia mundial nas próximas décadas.







