Especialista do CEUB alerta para os riscos das partículas invisíveis e indica formas de reduzir a exposição no dia a dia
Presentes no copo de café, nas roupas sintéticas e até na poeira doméstica, os microplásticos se tornaram uma das maiores preocupações da ciência contemporânea. Com menos de cinco milímetros, essas partículas não se restringem mais à poluição marinha. Já foram identificadas em amostras humanas, como fezes e sangue, o que acende um alerta para a saúde pública.
De acordo com Fabíola Castro, microbiologista e professora do curso de Medicina do CEUB, a exposição contínua aos microplásticos pode provocar desde inflamações celulares até alterações no DNA. Segundo ela, o risco está relacionado não apenas à presença física das partículas, mas também à sua interação com outras substâncias tóxicas.
“O plástico não se biodegrada. Ele se fragmenta em partes cada vez menores, que permanecem no ambiente por décadas”, explica. “Essas partículas funcionam como verdadeiros vetores de contaminação, pois atraem metais pesados e poluentes orgânicos. Ao serem inaladas ou ingeridas, levam para o organismo um conjunto de substâncias associadas ao estresse oxidativo e à disfunção metabólica”, alerta a especialista.
Embora a eliminação total da exposição seja inviável, Fabíola destaca que mudanças simples de hábito podem reduzir significativamente o contato diário com os microplásticos.
A primeira recomendação é priorizar recipientes de vidro ou cerâmica para alimentos e bebidas, especialmente ao aquecer comidas no micro-ondas. O calor acelera a liberação de micropartículas a partir do plástico, aumentando a contaminação dos alimentos.
Outra orientação é evitar copos descartáveis para bebidas quentes. O contato do plástico com café ou chá favorece a liberação de partículas em poucos minutos. Canecas de louça ou inox são alternativas mais seguras e duráveis.
Utensílios de cozinha também merecem atenção. Tábuas de corte de plástico e colheres de nylon sofrem desgaste com o uso e liberam fragmentos. A substituição por itens de bambu ou aço inoxidável reduz esse risco.
No caso da alimentação, a especialista recomenda cautela com o consumo frequente de moluscos, como ostras e mexilhões. Por serem animais filtradores, acumulam microplásticos presentes na água. Alternar as fontes de proteína ajuda a diminuir a ingestão dessas partículas.
O uso de filtros de água de alta eficiência é outra medida importante. Eles contribuem para reter parte dos microplásticos que podem estar presentes tanto na água da rede de abastecimento quanto em águas engarrafadas.
Fabíola chama atenção ainda para os microplásticos secundários, originados da fragmentação de embalagens e garrafas, considerados os mais comuns e perigosos por entrarem silenciosamente na cadeia alimentar. “Hoje, esse tema é tratado como uma fronteira da toxicologia. O descarte incorreto de plástico não é apenas um problema ambiental, é uma ameaça direta à nossa biologia no futuro”, conclui.








