Tecnologia amplia durabilidade dos pavimentos, reduz impactos ambientais e impulsiona inovação na infraestrutura rodoviária
Com mais de R$ 10 milhões destinados à pesquisa e desenvolvimento apenas em 2025, a GRECA Asfaltos inicia um novo ciclo de investimentos voltado à inovação tecnológica e à sustentabilidade. A estratégia da empresa aposta na ampliação de soluções como o asfalto modificado com borracha de pneus, alternativa que aumenta a vida útil dos pavimentos e reduz impactos ambientais na infraestrutura rodoviária brasileira.
Foi a partir da incorporação de pneus inservíveis ao asfalto, no início dos anos 2000, que a companhia paranaense consolidou sua presença nacional no setor. Desde então, a GRECA ampliou sua participação no mercado brasileiro, passando de 16,66% em 2021 para 21,05% até outubro de 2025, segundo dados parciais. A meta é atingir 25% em 2026 e manter a liderança no segmento de asfalto modificado com borracha, no qual a empresa já concentra mais de 57% do market share.
O movimento acompanha a expansão da operação, hoje presente em diferentes regiões do país e atendendo tanto órgãos públicos quanto empresas privadas. A tecnologia conhecida como ECOFLEX, desenvolvida a partir do pó de borracha de pneus, permanece como um dos principais diferenciais competitivos da companhia, mesmo duas décadas após sua primeira aplicação no Brasil.
O uso desse tipo de revestimento permite maior resistência às variações climáticas, menor incidência de trincas e redução dos custos de manutenção ao longo do tempo. Essas características têm ganhado peso em projetos de infraestrutura de longa vida útil e em licitações que incorporam critérios ambientais. Até o momento, mais de 27 milhões de pneus já foram reciclados e transformados em pavimentos mais duráveis.
De acordo com o CEO da GRECA, Edenilson Dalbosco, estudos técnicos reforçam o desempenho ambiental dos asfaltos modificados. “Isso ficou claro na pesquisa conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Pavimentação e Segurança Viária da Universidade Federal de Santa Maria, que indicou menor emissão de gases de efeito estufa e melhor relação custo-benefício dos asfaltos modificados quando comparados ao concreto nas condições viárias brasileiras”, explica.
Mercado flutuante e gargalos estruturais
Apesar dos avanços tecnológicos, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. Segundo Dalbosco, a ausência de planejamento de longo prazo compromete a previsibilidade dos investimentos em infraestrutura, fortemente influenciados pelos ciclos eleitorais. Mesmo com o crescimento das concessões rodoviárias, o poder público segue como principal indutor do mercado.
O cenário é agravado pela baixa extensão da malha pavimentada no país. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte, apenas 12% das rodovias brasileiras são asfaltadas. Regiões como o Nordeste ainda apresentam grandes vazios logísticos, enquanto corredores estratégicos, como a BR-101 no Sul, enfrentam colapsos frequentes em períodos de alta demanda.
Para o executivo, existe um potencial significativo de expansão, desde que acompanhado por políticas públicas consistentes e investimentos contínuos. “O Brasil avançou nos modelos de concessão, o que é positivo, mas isso não será suficiente para atender toda a demanda reprimida por infraestrutura”, afirma.
Reciclagem e redução de impactos
Além do uso de pneus reciclados, a empresa também investe em soluções de reciclagem asfáltica. A tecnologia permite reaproveitar o pavimento antigo fresado na recomposição da base de novas rodovias, reduzindo o descarte de resíduos, a necessidade de transporte para bota-fora e, consequentemente, as emissões associadas à obra.
Essa abordagem integra uma estratégia mais ampla de agregação de valor. “O Cimento Asfáltico de Petróleo é uma commodity, com disputa baseada apenas em preço. Nosso foco é desenvolver soluções com tecnologia, desempenho e sustentabilidade, oferecendo um produto mais completo”, destaca Dalbosco.
Embora o asfalto seja derivado do petróleo, o executivo ressalta que o material não passa por combustão, apresenta baixa emissão de CO₂ na aplicação e, quando associado à reciclagem de pneus, evita práticas mais poluentes, como a queima desses resíduos para geração de energia.
Descarbonização e ativos ambientais
Como parte da agenda ambiental, a GRECA iniciou uma parceria com a startup mineira Abundance para mensurar emissões e compensações de carbono. O projeto prevê a transformação de áreas de preservação da empresa em ativos ambientais digitais, monitorados por inteligência artificial, satélites e tecnologia blockchain.
Atualmente, a companhia mantém 211 hectares de áreas preservadas e restauradas, equivalentes a mais de 70 mil toneladas de CO₂ estocadas, volume suficiente para compensar suas emissões atuais. A meta é ampliar em 30% a produção de asfalto com borracha até 2030, reforçando o compromisso com soluções de menor impacto ambiental.
“Pesquisa, desenvolvimento e inovação são fundamentais para que possamos pavimentar mais e poluir menos, de forma responsável, eficiente e alinhada aos desafios climáticos”, conclui Dalbosco.








