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Liderança feminina e desenvolvimento humano impulsionam resultados no ESG além do lucro

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Da montanha ao conselho, Aretha Duarte mostra como pessoas são o centro da sustentabilidade corporativa

Em um cenário corporativo que passou a tratar o ESG como estratégia de negócio, o desenvolvimento humano deixou de ser um tema acessório e passou a ocupar papel central na sustentabilidade de longo prazo das empresas. Após a COP30, o debate ganhou contornos mais práticos, com foco em como lideranças, diversidade e cultura organizacional impactam diretamente produtividade, engajamento e reputação.

Nesse contexto, programas voltados à liderança feminina, inclusão e conexão com a natureza vêm sendo incorporados por empresas que buscam resultados consistentes e duradouros. Para Aretha Duarte, montanhista, empreendedora e palestrante, a sustentabilidade corporativa começa pelas pessoas.

Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest, ela leva para o ambiente empresarial aprendizados construídos em situações extremas. A experiência nas montanhas se transforma em método para discutir tomada de decisão, liderança sob pressão, colaboração e propósito dentro das organizações.

Segundo Aretha, liderar não é apenas alcançar o topo, mas construir uma base coletiva sólida. Para ela, empresas que desejam avançar na agenda ESG precisam compreender que pessoas bem desenvolvidas sustentam qualquer estratégia ambiental ou de governança.

A partir dessa vivência, a especialista destaca cinco caminhos essenciais para transformar o ESG em prática concreta.

Liderança feminina como alavanca de performance

A presença de mulheres em cargos de liderança tem impacto direto nos resultados corporativos. Diversos estudos apontam que empresas com maior diversidade de gênero apresentam melhor desempenho financeiro, maior inovação e ambientes organizacionais mais saudáveis.

Dados da ONU Mulheres e da Women’s Sports Foundation indicam que 94% das mulheres em cargos executivos possuem histórico esportivo e que 91% reconhecem essas experiências como fundamentais para o desenvolvimento de habilidades como liderança, comunicação, resiliência e trabalho em equipe.

No Brasil, empresas como Natura e Grupo Boticário já avançaram nesse caminho, alcançando paridade ou maioria feminina em cargos de liderança. Para Aretha, esses números refletem um movimento que vai além da equidade. “Quando mulheres lideram, fortalecem a autoliderança e criam ambientes mais colaborativos, capazes de sustentar resultados ao longo do tempo”, afirma.

Diversidade como motor de inovação

A diversidade não se limita ao gênero. Raça, idade, trajetórias e diferentes formas de pensar ampliam a capacidade de inovação das equipes. Ambientes plurais favorecem a criatividade, melhoram a tomada de decisão e aumentam a adaptação diante de cenários complexos.

Para Aretha, equipes diversas funcionam como uma cordada na montanha. Cada pessoa contribui com uma visão diferente, e o sucesso depende da cooperação. Esse modelo se reflete diretamente na produtividade e na capacidade de resolver problemas no ambiente corporativo.

Cultura regenerativa e conexão com a natureza

A pauta ambiental vem evoluindo da simples mitigação de impactos para uma abordagem regenerativa. A conexão com a natureza também apresenta efeitos diretos sobre saúde mental, criatividade e capacidade cognitiva.

Estudos da Yale School of Environment indicam que passar ao menos duas horas por semana em ambientes naturais reduz níveis de estresse e pode ampliar a capacidade de resolução de problemas. Para Aretha, compreender os ciclos naturais ajuda líderes a construir negócios mais equilibrados e resilientes.

“O respeito ao ritmo, aos limites e ao coletivo são aprendizados da montanha que se aplicam diretamente às empresas”, afirma.

Experiências práticas para transformar o ESG em ação

Um dos principais desafios das organizações é tirar o ESG do discurso. Sem experiências práticas, a agenda tende a permanecer no campo da intenção.

Nesse sentido, Aretha criou o programa Todas no Topo, uma imersão de quatro dias na montanha voltada a mulheres em posições de liderança ou em transição de carreira. A proposta é desenvolver habilidades como tomada de decisão, comunicação, autonomia e liderança em ambientes de alta pressão.

A experiência alia natureza, desafios físicos e reflexão estratégica, promovendo desenvolvimento emocional, fortalecimento da autoliderança e consciência coletiva. O programa também contribui para a adequação à NR-1, que passou a exigir atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Resultados mensuráveis para o negócio

Quando o desenvolvimento humano é tratado com método, intenção e acompanhamento, deixa de ser uma ação pontual e passa a integrar a estratégia corporativa. Empresas que investem nesse tipo de formação colhem impactos diretos na retenção de talentos, no engajamento das equipes, na reputação institucional e na performance financeira.

Para Aretha, o ESG só se consolida quando gera valor real. “Empatia, responsabilidade ambiental e diversidade não são custos. São investimentos que fortalecem a empresa de dentro para fora e garantem sustentabilidade no longo prazo”, conclui.

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