Início Noticias Mais da metade dos brasileiros é favorável à prisão de ex-dirigentes da...

Mais da metade dos brasileiros é favorável à prisão de ex-dirigentes da Vale por tragédia-crime de Brumadinho

28
0
Foto: Isis Medeiros/Avabrum

Pesquisa PoderData revela percepção de impunidade e insegurança na mineração sete anos após o rompimento da barragem em Minas Gerais

Sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a maioria da população brasileira ainda percebe falhas na responsabilização dos envolvidos. Pesquisa inédita realizada pelo instituto PoderData aponta que oito em cada dez brasileiros avaliam que a Justiça é lenta ou omissa na punição dos responsáveis pelas mortes causadas pela tragédia-crime.

O levantamento, realizado entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2025, mostra que 52% da população é favorável à prisão preventiva de ex-dirigentes da Vale e de responsáveis técnicos até a conclusão do julgamento. O dado reflete a insatisfação social diante da ausência de condenações criminais, mesmo após quase uma década do ocorrido.

A percepção de impunidade se soma ao temor de novos desastres. Segundo a pesquisa, 68% dos entrevistados acreditam que uma tragédia como a de Brumadinho pode se repetir no Brasil, indicando desconfiança generalizada quanto à capacidade do país de prevenir novos rompimentos de barragens.

A avaliação negativa também alcança a atuação da mineradora. Para 58% dos brasileiros, a Vale faz menos do que o suficiente ou não faz nada para reparar adequadamente as famílias e os municípios atingidos. O resultado evidencia o distanciamento entre as ações adotadas pela empresa e a expectativa social por reparação efetiva e duradoura.

O impacto da tragédia também segue influenciando a percepção sobre a atividade mineral no país. Quase metade da população (45%) considera que a mineração no Brasil está hoje menos segura do que antes do rompimento da barragem, reforçando que os efeitos do crime permanecem vivos no debate público.

Em Minas Gerais, estado diretamente atingido, os índices são ainda mais expressivos. Entre os mineiros, 83% demonstram desconfiança quanto à segurança da atividade mineral, percentual superior ao registrado no restante do país, onde esse índice é de 54%.

A pesquisa também revela forte apoio a medidas administrativas mais rigorosas. Para 74% dos entrevistados, engenheiros e geólogos envolvidos no rompimento deveriam ter seus registros profissionais cassados de forma definitiva, como medida de responsabilização e prevenção de novos crimes.

Outro ponto de destaque diz respeito à destinação de recursos oriundos de penalidades ambientais. Sete em cada dez brasileiros defendem que multas aplicadas a empresas responsáveis por tragédias como a de Brumadinho sejam direcionadas prioritariamente às associações de familiares das vítimas, e não incorporadas de forma genérica aos cofres públicos.

O levantamento aponta ainda descrédito em relação às estratégias de comunicação corporativa da mineradora. Para 60% dos entrevistados, campanhas institucionais e ambientais promovidas pela Vale após Brumadinho e Mariana são percebidas como tentativas de reconstrução de imagem, sem correspondência concreta com mudanças estruturais ou reparações suficientes. Essa percepção cresce conforme aumenta o nível de escolaridade dos respondentes.

Para a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), Nayara Porto, os dados confirmam uma leitura compartilhada pelas famílias desde 2019. “A pesquisa mostra que a sociedade brasileira compreende a gravidade do crime de Brumadinho e reconhece que ainda não houve justiça. Enquanto os responsáveis seguem em liberdade e sem condenações, permanece o risco de que outras comunidades vivam a mesma tragédia”, afirma.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo PoderData entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2025, com 3.200 entrevistas em 111 municípios das 27 unidades da Federação. O levantamento ouviu brasileiros com 16 anos ou mais por meio de entrevistas telefônicas automatizadas (IVR). A margem de erro é de ±1,9 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. A amostra foi ponderada por sexo, idade, escolaridade, renda e região.

De acordo com o diretor executivo do PoderData, Mateus Netzel, o estudo evidencia a permanência do tema na memória coletiva. Segundo ele, “a tragédia ainda é lembrada por 79% dos brasileiros, número que cresceu dez pontos percentuais desde 2024, o que demonstra a relevância das ações de preservação da memória das vítimas de Brumadinho”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui