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Economia solidária cresce no Brasil e ultrapassa 5,5 mil novas iniciativas na última década

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Jairo Santos Créditos: Feixe Filmes

Proposta de economia inclusiva avança com cooperativas, associações, grupos, geração de renda e maior participação feminina; especialistas alertam para os desafios da informalidade

Os empreendimentos da economia solidária seguem conquistando espaço no país. Dados da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes/MTE) e do Cadastro Nacional de Empreendimentos da Economia Popular e Solidária (Cadsol) revelam que o setor cresceu 36,8% nos últimos 13 anos, chegando a mais de 20,4 mil iniciativas no Brasil.

Com força em territórios onde o acesso ao emprego formal é mais limitado, a proposta funciona como um modelo de inclusão de trabalhadores, destacando-se pela gestão compartilhada de atividades. Em 2005, cerca de 14,9 mil empreendimentos econômicos solidários (EES) existiam no Brasil, de acordo com o Atlas da Economia Solidária. Hoje, são mais de 5,5 mil novas iniciativas espalhadas pelos municípios brasileiros.

A expansão reforça uma mudança no perfil de trabalho e geração de renda, especialmente em comunidades do Nordeste, Sudeste e Sul do país, que buscam modelos mais colaborativos de produção e consumo. Para Jairo Santos, secretário executivo da Rede de Gestores de Políticas Públicas de Economia Solidária, o fortalecimento do setor mostra que iniciativas coletivas ocupam um espaço cada vez mais relevante em diferentes regiões do Brasil.

“O que chamamos, hoje, de Economia Popular e Solidária no Brasil é resultado de uma luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras, de pessoas oriundas das camadas populares que se organizam em empreendimentos econômicos solidários e grupos de trabalho, associações, cooperativas, e com isso produzem a geração de renda e resultados para a manutenção de suas famílias. A Economia Solidária é uma política pública que pode absorver uma quantidade cada vez maior do que chamamos de Economia Popular. Porque essa forma de atuar, de coletivizar as pessoas em associações, em cooperativas, em grupos, faz com que os que estão na informalidade possam ter a possibilidade de atuar coletivamente”, explica.

Por meio de cooperativas, associações e grupos de produção coletiva, os EES firmaram-se em áreas como agricultura familiar, alimentação, reciclagem, artesanato, ecossistema do cuidado e prestação de serviços. Embora o setor reúna mais de um milhão de trabalhadores, uma parcela das iniciativas ainda sofre com a informalidade. Pelo menos 30% do cenário é composto por grupos informais, enquanto as associações correspondem a 56% das organizações mapeadas, segundo o Cadsol.

“A Economia Solidária é a política pública que nós temos certeza que pode produzir o desenvolvimento territorial, das cidades, dos municípios, o desenvolvimento de coletividades, das comunidades quilombolas, dos povos originários do Brasil. E pode dar uma direção segura de geração de trabalho e renda para essas populações”, complementa Jairo Santos, membro do Conselho Nacional de Economia Solidária.

Outro dado que chama atenção é a força feminina dentro da economia solidária. Um relatório da OCDE, por meio do Programa de Emprego Local e Desenvolvimento Econômico (LEED), revelou que 44% dos empregos solidários no Brasil já são ocupados por mulheres. A expectativa é que esse protagonismo impulsione novas transformações no mercado de trabalho, especialmente em iniciativas ligadas à geração de renda local e ao empreendedorismo comunitário.

Para Anne Sena, dirigente da Unisol Brasil e secretária-geral da Unicopas, o crescimento da Economia Popular e Solidária demonstra a capacidade de organização dos trabalhadores na construção de alternativas econômicas baseadas na cooperação, na autogestão e na distribuição mais justa da riqueza. “Estamos falando de um modelo que fortalece os territórios, gera trabalho e renda, promove inclusão produtiva e reconhece o papel das comunidades na construção do desenvolvimento local. A Economia Solidária tem mostrado que é possível produzir, comercializar e consumir de forma sustentável, democrática e comprometida com o bem comum”, afirma.

A dirigente destaca que as mulheres são protagonistas nesse processo e que a economia solidária dialoga diretamente com os princípios da economia feminista ao reconhecer e valorizar atividades historicamente invisibilizadas. “As mulheres estão na linha de frente de iniciativas ligadas à produção de alimentos, ao artesanato, à reciclagem, aos serviços e, sobretudo, às economias do cuidado. Fortalecer a participação feminina significa reconhecer o trabalho reprodutivo e comunitário como parte fundamental da economia. A Economia Feminista nos ajuda a compreender que o desenvolvimento só será efetivamente sustentável quando colocar a vida, o cuidado e a igualdade no centro das decisões econômicas”, ressalta Anne Sena.

Esse avanço também é resultado da articulação entre diferentes setores que constroem a economia solidária no país. A proposta se organiza em muitas frentes de atuação, como empreendimentos econômicos solidários, gestão pública, organizações de apoio e fomento, finanças solidárias – a exemplo de incubadoras, bancos comunitários e municipais, redes solidárias e entidades da sociedade civil. Juntos, esses atores contribuem para ampliar oportunidades de trabalho, fortalecer iniciativas coletivas e garantir a participação de grupos que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso à renda, como mulheres, jovens, população afrodescendente, comunidades quilombolas e povos indígenas.

1º Festival Nacional de Economia Popular e Solidária

O movimento nacional de economia solidária, com empreendimentos, grupos e organizações, vai se reunir no Rio de Janeiro entre os dias 10 e 14 de junho para o 1º Festival Nacional de Economia Popular e Solidária, com o objetivo de posicionar a temática no centro do desenvolvimento nacional e territorial. Brasileiros e turistas são esperados no Píer Mauá (RJ) para construir soluções, participar de oficinas práticas, debater oportunidades, conhecer a feira nacional da economia solidária e propor mudanças que gerem impacto positivo.

Serviço:

1º Festival Nacional de Economia Popular e Solidária
Data: 10 a 14 de junho de 2026
Local: Píer Mauá – Av. Rodrigues Alves, 10, Rio de Janeiro (RJ)
Mais informações: gratuito

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