Promovido pelas ONGs Teto Brasil e Fundo Fica, evento reuniu representantes do governo, sociedade civil e academia para debater moradia diante da crise climática
O 1º Fórum de Moradia e Clima reuniu, na quinta-feira, 11 de junho de 2026, em Brasília (DF), representantes de diversos órgãos governamentais e da sociedade civil para debater a habitação de populações vulneráveis diante dos fenômenos decorrentes da crise climática. O encontro, promovido pela Teto Brasil e pelo Fundo Fica no Memorial Darcy Ribeiro, buscou ampliar a agenda e aproximá-la das políticas públicas nacionais. Os debates foram além da identificação de soluções de habitação social de curto e longo prazo e enfatizaram a urgência de implementação e integração para que os grupos historicamente marginalizados sejam priorizados diante da crise climática.
Na abertura do evento, Elkin Velásquez, representante do ONU-Habitat na América Latina, enfatizou que as comunidades mais vulneráveis já sofrem os impactos diretos das mudanças climáticas e que o desafio é promover a adaptação a partir da moradia. “Realizar o 1º Fórum Brasileiro de Moradia e Clima é um marco não só para o Brasil, mas para toda a América Latina, e foi conquistado sob a liderança de duas organizações da sociedade civil”, afirmou.
Tassiana Cunha Carvalho, secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, lembrou que eventos extremos não afetam apenas os territórios, mas também comprometem direitos fundamentais e as condições de vida. “A ausência de um endereço fixo impacta diretamente a vida das pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, reforçou, ressaltando a importância da inclusão da população em situação de rua nas políticas públicas.
Para Camila Jordan, diretora de relações institucionais e incidência da Teto Brasil, o fórum reforça a importância do debate público sob a ótica da população mais impactada. “Não dá para falar de clima sem falar de moradia. É para quem não tem acesso a um abrigo digno que a mudança climática e as desigualdades estruturais se encontram. As soluções precisam ser construídas sempre a partir e com as pessoas que vivem na pele as consequências, em parceria com especialistas técnicos.”
Edite Vieira, representante da Comunidade City, uma das comunidades em que a Teto Brasil atua, enfatizou que o desafio do momento é transformar o acolhimento emergencial em uma ponte segura para a moradia definitiva. “As respostas habitacionais de emergência precisam estar conectadas a estratégias de longo prazo para garantir o direito à moradia.”
Simone Gatti, diretora-presidente do Fundo Fica, reiterou que as populações que menos contribuíram para as mudanças do clima são as que mais sofrem seus impactos, e ressaltou que “a oferta de moradia é fundamental, mas não pode ser isolada para enfrentar a vulnerabilidade. A casa é apenas o primeiro passo; depois dela vêm os cuidados com a saúde, a segurança alimentar, a educação, o trabalho e a geração de renda para a reconstrução da autonomia.”
O impacto das mudanças climáticas na habitação popular também foi destaque na participação de Karol Almeida, arquiteta e urbanista popular representante da Kopa Coletiva. Integrante da mesa Melhorias habitacionais – Adaptação climática dentro de casa, Karol conectou sua vivência como mulher periférica e trabalhadora de território aos debates do evento. A urbanista levou ao painel sua experiência de atuação direta no SUS e cobrou celeridade do poder público, ressaltando que, mesmo dois anos após as grandes enchentes no Rio Grande do Sul, os avanços ainda são insuficientes para garantir dignidade a quem mais precisa.
Para Marcelo Brasil, gerente nacional de habitação de interesse social da Caixa Econômica Federal, “a locação social é uma ferramenta essencial para compor as alternativas de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas nas cidades. Ela oferece uma alternativa rápida e segura para famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas expostas a áreas de risco, contribuindo para a proteção social e para a construção de cidades mais resilientes e inclusivas.”
O fórum foi transmitido online e pode ser assistido na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=K-aGw9mXq6I. A agenda completa dos participantes está disponível em https://bit.ly/fbmc2026.







