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Seminário Prospera Sociobio marca nova etapa de investimento de R$ 70,2 milhões para fortalecer a sociobioeconomia na Amazônia

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Foto: Kamila Cavalcante

Evento reúne, em Brasília, as seis redes selecionadas pelo edital para avançar na criação dos Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia em quatro estados amazônicos

O Seminário Prospera Sociobio, iniciado na terça-feira, 30 de junho de 2026, em Brasília (DF), marcou o avanço do Edital Prospera Sociobio para a etapa de implementação dos Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia na Amazônia. A iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), reúne as seis redes regionais selecionadas para atuar em seis Territórios da Sociobioeconomia (TSBio), nos estados do Pará, Amapá, Amazonas e Acre, com investimento previsto de até R$ 70,2 milhões.

A programação do primeiro dia reuniu representantes do governo federal, organizações parceiras e integrantes das redes selecionadas em um momento de integração e alinhamento. Foram apresentados programas, políticas públicas e serviços de diferentes órgãos federais e parceiros, que poderão apoiar a atuação dos Núcleos durante a implementação dos projetos. Entre os destaques estiveram a contextualização da Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) e do Prospera Sociobio, além da apresentação de instrumentos voltados ao acesso a crédito, assistência técnica, fortalecimento de mercados e integração com políticas públicas federais. Ao final, foi realizada a assinatura simbólica dos contratos com as redes selecionadas, oficializando o início desta nova etapa.

Segundo Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS, a parceria entre o governo alemão, o MMA e a FAS foi essencial para viabilizar o edital. “Nesse modelo de atuação da FAS como agência implementadora, criamos uma estratégia de apoio com adiantamento de recursos. Foram R$ 1,5 milhão antecipados, o que permitiu a realização das oficinas nos territórios, ações de divulgação, capacitações e todo o trabalho necessário para que essa construção avançasse. A partir desses seis polos de fortalecimento da sociobioeconomia, teremos uma nova perspectiva para a valorização da floresta em pé e para a construção da prosperidade dos guardiões da floresta”, afirma.

Para Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do MMA, o Prospera Sociobio representa um caminho concreto para que a política pública chegue aos territórios amazônicos com apoio direto e articulado. “Esse espaço que criamos não é apenas um projeto, é um ecossistema, uma rede de apoio, em que os territórios se fortalecem entre si e o programa se conecta às políticas públicas. Hoje, a sociobioeconomia tem uma casa no MMA, junto aos ministérios parceiros, e esse é um espaço que deve seguir aberto e trabalhando com vocês”, declara.

Projeto, Núcleos e Redes selecionadas

O Prospera Sociobio tem como objetivo fortalecer negócios comunitários, cooperativas, associações e iniciativas produtivas da sociobiodiversidade. O programa apoia a criação dos Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia, arranjos territoriais formados por redes multi-institucionais, com governança própria e atuação local. Na prática, os Núcleos funcionarão como pontos de articulação entre organizações comunitárias, parceiros técnicos e instituições públicas e privadas, oferecendo apoio em áreas como assistência técnica, formação, inovação produtiva, acesso ao crédito, qualificação da gestão, comunicação, empreendedorismo, governança e acesso a mercados.

Foram selecionadas seis redes regionais para implementar os Núcleos nos Territórios da Sociobioeconomia de Altamira, Juruá-Tefé, Macapá, Portel, Rio Branco-Brasileia e Salgado-Bragantino. As redes são lideradas, respectivamente, pela Amoreri (Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Iriri); Instituto Juruá (Associação de Pesquisa Aplicada, Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Rio Juruá); Associação Instituto Mapinguari; Instituto Internacional de Educação do Brasil; Associação SOS Amazônia; e Instituto Peabiru.

Para Thamyres Oliveira, representante do Instituto Mapinguari, organização-líder da Rede TSBio Macapá, o seminário tem sido um espaço importante de troca e fortalecimento. “Está sendo uma troca incrível, porque estamos tendo um olhar mais técnico sobre uma proposta que foi construída coletivamente e à distância. Hoje, estamos nos conhecendo presencialmente, compartilhando experiências e identificando desafios em comum. Tenho certeza de que daqui vão surgir muitas trocas e que sairemos com mais aliados do que tínhamos antes”, comenta.

Para Robson Gonçalves Machado, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Portel e representante da Rede TSBio Portel, a iniciativa é fundamental para as comunidades amazônicas. “O sindicato faz parte da rede do Prospera Sociobio, uma iniciativa fundamental para o desenvolvimento e o apoio às comunidades da Amazônia. Conseguimos enxergar o quanto ele é importante para as comunidades tradicionais, para que elas possam viver da floresta de forma sustentável”, afirma.

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