Material do Instituto Recicleiros reúne 19 anos de experiência e estreia junto com novo videocast da plataforma; no país, apenas 30% dos municípios têm coleta seletiva e cerca de 80% dos catadores ainda atuam na informalidade
A Academia Recicleiros lançou o guia gratuito Mãos que Reciclam, Vozes que Decidem – Guia para formação de cooperativas de reciclagem, que sistematiza 19 anos de pesquisa e prática na estruturação da cadeia da reciclagem brasileira. O material chega em um país onde apenas cerca de 30% dos municípios oferecem coleta seletiva e em torno de 80% dos catadores trabalham na informalidade, e marca também a estreia do videocast da plataforma.
Disponível gratuitamente na plataforma Academia Recicleiros do Catador, o guia funciona como um passo a passo para grupos informais que querem se organizar: como conduzir a reunião de constituição, elaborar a ata, construir o estatuto, formalizar a cooperativa e identificar parceiros. Aborda ainda a diferença entre associação e cooperativa, governança, gestão e direitos dos cooperados, além de um glossário com os principais termos do dia a dia.
“A estruturação das organizações de catadores como cooperativas é um dos fatores centrais para ampliar e profissionalizar a reciclagem no Brasil”, afirma Lusimar Guimarães, gerente da Academia Recicleiros do Catador, do Instituto Recicleiros. “É o bê-á-bá da constituição de uma cooperativa. Em muitas regiões do país ainda há pouco conhecimento sobre cooperativismo, e o material começa pelo essencial”, explica Cleide Faustino, contadora da Artêmis Contabilidade que participou da elaboração do conteúdo.
Videocast estreia debatendo formalização e coleta seletiva
O primeiro episódio do videocast reuniu especialistas para discutir os desafios da formalização de cooperativas, o fortalecimento da coleta seletiva e o desenvolvimento da cadeia. Conduzido por Lusimar Guimarães, o encontro teve as participações de Cleide Faustino, Telines Basílio (Carioca) e Isabela De Marchi.
“Ainda vivemos o desafio de implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos. É uma lei de 2010, e o país ainda tem um número expressivo de municípios que usam lixões. Os dados do SNIS apontam que apenas cerca de 30% dos municípios têm coleta seletiva”, observou Fabrício Soler, advogado e professor especialista em Direito dos Resíduos. “É inserir o catador dentro da gestão de resíduos de verdade. Ele não está fazendo um favor para as empresas – está na Política Nacional de Resíduos Sólidos: a responsabilidade compartilhada”, reforçou Carioca, diretor-presidente da Coopercaps.
O poder público também participou. Para José Henriques, prefeito de Cataguases (MG), a formalização da Recicla Cataguases criou “um modelo organizado e transparente, capaz de gerar resultados reais: mais reciclagem, menos resíduos indo para o aterro e mais renda para as famílias envolvidas.”
A Academia Recicleiros é uma plataforma gratuita desenvolvida pelo Instituto Recicleiros que reúne conteúdos de formação técnica de catadores, cooperativismo, produção, gestão, governança e desenvolvimento de lideranças. A partir do segundo semestre de 2026, todo o conteúdo das Academias do Catador, do Gestor Público e de Mudança de Comportamento para reciclagem passou a ser reunido em uma única plataforma, a nova Academia Recicleiros, com trilhas de conhecimento para ONGs, empresas e comunidade.
“Esse guia é para os 80% de catadores espalhados pelo Brasil trabalhando na informalidade. Que ele abasteça com conhecimento e ajude a garantir melhores condições de trabalho”, afirma Isabela De Marchi, gerente de sustentabilidade da SIG. “Investir em capacitação é essencial para construir uma cadeia de reciclagem mais inclusiva, eficiente e sustentável”, acrescenta Tatiana Bizzi, gerente de investimento social da Alcoa.
O guia e o primeiro episódio do videocast estão disponíveis gratuitamente em www.academiadocatador.org.br.







