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Do resgate à conservação: papagaios vítimas do tráfico ganham novo espaço no Zoo SP

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Seis papagaios-de-cara-roxa e três papagaios-charão, representantes de espécies ameaçadas, chegaram ao zoológico em março e passaram a ocupar o Bosque da Conservação nesta semana

No Dia Nacional do Papagaio, celebrado na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, o Zoológico de São Paulo ampliou suas ações de conservação com a chegada de nove indivíduos de duas espécies ameaçadas de extinção: seis papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e três papagaios-charão (Amazona pretrei). Destinados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os animais sobreviveram a uma tentativa de tráfico internacional de fauna silvestre.

Os filhotes chegaram ao Zoo em março de 2026, aos cinco meses de vida. Após um período de quarentena e avaliações clínicas, foram transferidos para o Bosque da Conservação, espaço especialmente preparado para abrigar espécies ameaçadas e que oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer as aves e aprender sobre o trabalho de conservação. No novo ambiente, o grupo tornou-se vizinho de ararinhas-azuis, araras-azuis-de-lear e jacutingas.

A história começou em 26 de outubro de 2025, quando o Ibama apreendeu os ovos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), durante fiscalização de combate ao tráfico internacional de animais silvestres. Segundo o órgão ambiental, uma passageira estrangeira tentou embarcar com 24 ovos de aves escondidos sob as roupas e presos ao corpo com meias de nylon. Em estágio avançado de desenvolvimento, o material foi recolhido e encaminhado para atendimento especializado. No dia seguinte, parte dos ovos eclodiu. Dos 24 ovos apreendidos, nove resultaram em animais que sobreviveram e foram destinados ao Zoo São Paulo.

O papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-charão fazem parte do Plano de Ação Nacional para as Aves da Mata Atlântica, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As duas espécies também estão contempladas em iniciativas da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), que envolvem manejo e reprodução planejada sob cuidados humanos para manter populações geneticamente diversas.

Com os nove indivíduos, a equipe técnica inicia uma etapa voltada à formação de futuros casais reprodutivos. A estratégia busca, a longo prazo, ampliar e fortalecer as populações ex situ, com possibilidade de disponibilizar descendentes para diferentes programas de proteção da fauna.

O papagaio-de-cara-roxa é classificado como quase ameaçado de extinção, enquanto o papagaio-charão é considerado vulnerável à extinção, segundo a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. As duas espécies ocorrem na região Sul do Brasil. O papagaio-de-cara-roxa é encontrado na Mata Atlântica do litoral sul de São Paulo e do Paraná. O papagaio-charão habita áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Apesar da plumagem predominantemente verde, os dois apresentam características distintas: o charão possui máscara e partes das asas vermelhas, enquanto o de cara-roxa tem testa e loros vermelhos, vértice e garganta arroxeados e laterais da cabeça azuladas.

Serviço:
Zoológico de São Paulo:
Av. Miguel Estéfano, 4241, Água Funda, São Paulo (SP)
Jardim Botânico de São Paulo: Av. Miguel Estéfano, 3031, Água Funda, São Paulo (SP)
Funcionamento: segunda a sexta, das 9h às 17h (entrada até 16h); sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 18h (entrada até 17h)
Ingressos e mais informações: consulte o site do Zoo SP

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