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Pesquisadores indígenas lançam na Bienal livro sobre violações históricas contra povos em todo o Brasil

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“Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências” se debruça sobre oito episódios emblemáticos de violência contra comunidades e povos indígenas pelo país

Registrar violações históricas contra povos indígenas e fortalecer a busca por justiça para esses crimes são objetivos do livro Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências, coleção de artigos de autores indígenas que será lançada na Bienal do Livro em 9 de setembro de 2026, em São Paulo (SP).

O livro se debruça sobre oito episódios emblemáticos de violência contra comunidades e povos indígenas ocorridos em Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Espírito Santo. As ocorrências incluem casos de tortura, genocídio, trabalho forçado, sequestro de crianças, assassinatos, remoções e expulsões territoriais, praticadas tanto por iniciativas privadas quanto por agentes do Estado, raramente levados à Justiça.

Na obra, o conceito da justiça de transição é defendido como um conjunto de medidas destinadas a esclarecer violações, identificar responsabilidades, compensar os danos causados e criar garantias para que essas violências não se repitam. O processo leva em conta tanto as violações cometidas durante e depois da ditadura militar quanto os prejuízos coletivos, territoriais, culturais e intergeracionais delas decorrentes.

Os dados, documentos e depoimentos que compõem o projeto foram levantados e organizados principalmente por pesquisadores e pesquisadoras indígenas ligados ao Obind (Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas), da Universidade de Brasília (UnB). Para a coordenadora editorial Braulina Baniwa, antropóloga e liderança indígena, esse protagonismo é fundamental: “Unir ferramenta técnica e memórias indígenas de forma qualificada a partir de uma escuta indígena é o início de uma nova história para povos indígenas no Brasil pela justiça de reparação integral.”

Os casos documentados no livro cobrem diferentes regiões e povos. Em São Paulo, o caso da Terra Indígena Piaçaguera registrou violência estatal e privada, esbulho territorial e degradação ambiental, afetando diretamente a reprodução física, social e espiritual do povo Tupi-Guarani. No Mato Grosso do Sul, o caso Terena expôs assassinatos, tentativas de homicídio, reintegrações violentas e altos índices de suicídio ligados à disputa territorial. No mesmo estado, o caso Guarani e Kaiowá, em Douradina, mostrou remoções forçadas na época da ditadura, com expulsões violentas, queima de casas de reza e transferência para reservas superlotadas.

Em Roraima, o estudo sobre o povo Macuxi na Fazenda Santa Cruz reuniu registros de violência estatal e privada no contexto da luta pela Raposa Serra do Sol. Na Bahia e em Pernambuco, o povo Tuxá relatou remoções forçadas e fragmentação comunitária provocadas pela barragem de Itaparica. No Paraná, o caso da Aldeia Palmeirinha evidenciou torturas, expulsões e trabalho forçado praticados pelo SPI e pela Funai, enquanto o caso Xetá revelou um processo de genocídio com sequestro de crianças, desaparecimentos e massacres, resultando no quase extermínio do povo. No Espírito Santo, os povos Tupiniquim e Guarani expuseram deslocamentos forçados e racismo institucional diante da pressão de grandes empreendimentos de celulose.

A obra é publicada pelo Selo da Rua, editora do Instituto de Políticas Relacionais, e é uma realização da Apib, Relacionais e Obind, com apoio da Embaixada da Noruega. O livro estará disponível para download gratuito no site do Relacionais.

Serviço:
Lançamento de Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências

Data: 9 de setembro de 2026, às 16h
Local: Bienal Internacional do Livro de São Paulo – Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, São Paulo (SP)
Estande: Diversa – Rua CC 17, Selo da Rua, números 31 a 45

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