Início HOME Estudo aponta viabilidade de reaproveitar resíduo de catalisador de petróleo na produção...

Estudo aponta viabilidade de reaproveitar resíduo de catalisador de petróleo na produção de cimento

38
0
Denis Silva, gerente de Qualidade da InterCement Brasil, e Rafael Mauri, gerente de Coprocessamento da InterCement Brasil

Pesquisa apresentada na USP demonstra que incorporação do material mantém critérios de qualidade e abre caminho para a descarbonização da construção

Um material utilizado no refino de petróleo e, posteriormente, destinado como resíduo, pode ganhar uma nova aplicação na indústria do cimento. Um estudo realizado por profissionais da InterCement Brasil demonstrou a viabilidade técnica de incorporar o resíduo de catalisador exaurido à produção de cimento, mantendo os critérios de qualidade e desempenho do produto final. Originado no processo de refino de petróleo da Petrobras, o catalisador é empregado para acelerar a quebra de moléculas durante a produção de combustíveis.

“Além da substituição parcial de matéria-prima no produto final, também evita-se um passivo ambiental, considerando que o resíduo é destinado, em sua grande maioria, para aterros industriais. Dessa forma, as refinarias acabam garantindo um processo circular na produção de combustíveis”, explica Rafael Mauri, gerente de coprocessamento da InterCement Brasil.

A pesquisa conecta dois desafios da indústria: dar nova destinação a um material que perderia sua função original e desenvolver alternativas para reduzir o uso de clínquer, componente do cimento associado à maior parcela das emissões de CO₂ do processo produtivo.

A pesquisa comparou um cimento de referência (pozolânico) a uma formulação com 4% de catalisador exaurido. Foram analisadas as características químicas e físicas dos materiais, as reações que ocorrem quando o cimento entra em contato com a água e o desempenho mecânico do concreto. Nas condições avaliadas, determinadas formulações apresentaram resultados iguais ou superiores aos do material de referência, indicando que o reaproveitamento pode ocorrer sem comprometer a qualidade do produto.

“Mais do que avaliar o comportamento do catalisador em laboratório, buscamos entender como sua aplicação pode ser incorporada ao processo industrial com estabilidade, qualidade e segurança”, afirma Denis Silva, gerente de controle de qualidade da InterCement Brasil e um dos autores do estudo.

Além dos ensaios laboratoriais, o trabalho avançou sobre a estabilidade da dosagem. A utilização de silos independentes permitiu controlar melhor a incorporação do catalisador e superar oscilações observadas anteriormente no processo. “Isso demonstra a importância de avaliar não apenas as propriedades do material, mas também as condições necessárias para seu uso em escala produtiva”, observa Denis Silva.

O estudo foi apresentado no dia 3 de setembro de 2026 no 1º Seminário sobre Materiais Cimentícios Ecoeficientes para a Descarbonização da Construção (SEECM-Decarb 2026), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo (SP).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui