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A economia circular gera dados; o desafio agora é transformá-los em inteligência

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Exigências regulatórias aceleram a adoção de inteligência artificial e rastreabilidade digital para comprovar resultados e orientar decisões corporativas

O Brasil gerou cerca de 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, das quais 40,3% tiveram destinação inadequada, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da ABREMA. Diante desse volume crescente e de exigências regulatórias cada vez mais complexas, como as previstas no Decreto 12.688/2025, que institui metas progressivas de recuperação e inclusão de material reciclado nas embalagens plásticas, o setor de economia circular entra em uma nova fase. O desafio deixa de ser apenas ampliar a capacidade de reciclagem e passa a envolver a gestão eficiente das informações geradas ao longo da cadeia para garantir conformidade regulatória e maior eficiência operacional.

Nesse contexto, tecnologias como inteligência artificial e rastreabilidade digital ganham protagonismo ao organizar e interpretar informações sobre composição de embalagens, conteúdo reciclado, certificações, distribuição geográfica e metas de recuperação.

Para Renato Paquet, ecólogo, especialista em economia circular e CEO da Polen, entidade gestora estruturante especializada em logística reversa de embalagens, o principal desafio está em consolidar informações que hoje permanecem dispersas entre diferentes agentes da cadeia. “Existe uma percepção de que o principal desafio está na falta de infraestrutura ou de capacidade para reciclar. Em muitos casos, porém, o problema está na falta de visibilidade sobre o que acontece ao longo da cadeia. As informações existem, mas ainda estão distribuídas entre diferentes atores. O próximo passo é conectar essas pontas para gerar uma gestão mais eficiente e baseada em evidências”, afirma.

A complexidade aumenta à medida que as cadeias produtivas se tornam mais sofisticadas. Uma empresa com cerca de dois mil SKUs e quatro componentes por embalagem, por exemplo, pode precisar administrar aproximadamente oito mil componentes distintos, considerando variáveis como tipo de material, fornecedores, percentual de conteúdo reciclado, certificações e reciclabilidade, segundo estimativa da Polen.

Gerenciar esse volume de forma manual se torna cada vez mais inviável, o que abre espaço para a inteligência artificial assumir um papel estratégico. “A inteligência artificial amplia a capacidade das organizações de analisar milhares de variáveis simultaneamente, identificar padrões e apoiar decisões que impactam toda a cadeia, desde a gestão de embalagens até o cumprimento de metas de circularidade”, explica Paquet.

Embora a inteligência artificial já esteja consolidada em áreas como logística, finanças e marketing, sua aplicação estruturada na economia circular ainda é recente no Brasil. A tendência é que a combinação entre rastreabilidade, automação e análise de dados ganhe espaço à medida que as exigências regulatórias se tornem mais rigorosas e a necessidade de comprovação de resultados aumente.

“Nos próximos anos, as empresas precisarão ter uma visão cada vez mais precisa sobre o ciclo de vida de suas embalagens, desde a sua concepção até sua recuperação. A tecnologia deixará de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar um elemento central da gestão da circularidade, permitindo mais transparência, previsibilidade e capacidade de adaptação a um ambiente regulatório em constante evolução”, conclui Paquet.

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