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Tornados no Sul do Brasil: um fenômeno frequente destacado pelo El Niño

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Foto: Pexels / Echo Zhang

*Prof. Claudio de Brito Neri

Uma série de dúvidas costuma surgir diante de fenômenos naturais que causam grande destruição, é o caso do tornado confirmado no último dia 30 de agosto, na cidade de Campo Erê, região Oeste de Santa Catarina. O rastro de destruição e a consequente continuidade de tempestades severas deixaram, segundo a Defesa Civil, 11 municípios em situação de emergência entre os dias 28 de agosto e 1° de setembro.

Com o anúncio da possibilidade de formação de um Super El Niño, muitas foram as relações feitas ligando o aumento de tempestades severas e o surgimento de tornados com a atuação do evento climático. É preciso destacar que o resultado não é a soma de um ou dois elementos isolados, mas uma combinação de fatores.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a possibilidade da formação de um Super El Niño, algo muito mais forte que os eventos rotineiros, chega a 90%. A previsão é que isso se estenda desde a primavera de 2026 ao verão de 2027, o que significa que já estamos sob sua ação. O que será definida ainda é a proporção desse fenômeno.

É fundamental entender que sob sua condição há intensificação e transformação dos padrões climáticos de circulação atmosférica, ou seja, fenômenos que já acontecem se tornam mais intensos e significativos. O El Niño não vai criar tornados, mas vai tornar as tempestades mais intensas a ponto de, juntamente com outros elementos, formá-los. É como um ingrediente que intensificará o resultado.

Então por que a região Sul do Brasil é atingida por tantos tornados?

Apesar de apenas intensificar a incidência de chuvas e tempestades na região Sul, historicamente essa área brasileira é marcada por grandes enchentes e temporais severos, com registro de tornados mesmo sem a presença de El Niño. Isso acontece, pois há inúmeras características que favorecem essas instabilidades climáticas.

Exemplo disso são os registros da Defesa Civil de Santa Catarina que, em junho de 2025, confirmou pelo menos seis tornados associados à passagem de uma intensa frente fria no Oeste do estado. Outro exemplo: em novembro de 2025, três outros eventos de grande impacto foram confirmados na mesma região catarinense relacionados a um ciclone extratropical.

O estado encontra-se em uma localização geográfica que permite o encontro de diferentes tipos de massas de ar. A umidade acumulada do Oceano Atlântico em confronto com as serras, planaltos e vales alteram a circulação atmosférica. A região mais afetada, o Oeste, está próxima das áreas de entrada de ar quente e úmido que se encontram com as massas de ar frio. Quando todos esses elementos se combinam e há uma mudança na velocidade dos ventos e na altitude, em alguns casos, acontece a formação de tornados.

Há um outro aspecto que facilita os surgimentos desses fenômenos: o relevo. Tanto essa característica quanto o litoral da região Sul do país influenciam intensamente a dinâmica atmosférica, pois toda a umidade vinda do Atlântico entra no continente e se encontra com formações de planaltos, áreas de depressão, planícies, escarpas e extensas áreas relativamente abertas, o que resulta na mudança da circulação dos ventos e alteração da distribuição do ar.

No Rio Grande do Sul, a região dos Pampas, por ser aberta, torna-se um grande corredor para entrada de massas de ar que avançam para o Sul de maneira que encontrem as massas frias que sobem da região Antártica.

A combinação entre o encontro das massas de ar quentes e frias e a junção desses elementos faz com que a atmosfera fique extremamente instável. O Sul brasileiro possui uma formação naturalmente favorável aos tornados. Agora, o fato de em 2026 termos a expectativa de um Super El Niño, que intensifica a passagem de frentes frias, cria um aumento na expectativa por novos tornados, fazendo com que essa situação tão ameaçadora se torne alvo da curiosidade e das preocupações em todo o país.

*Prof. Claudio de Brito Neri é docente de Geografia do Colégio Presbiteriano Mackenzie (CPM) Tamboré

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