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Projeto Vem Viver planta mais de 700 mudas e transforma o entorno da Lagoa de Ibirité com agroecologia e mobilização comunitária

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Iniciativa une mulheres, organizações e moradores de Sarzedo, Ibirité e Betim em ações de recuperação ambiental, educação e produção sustentável

Transformar as condições socioambientais do entorno da Lagoa de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), a partir da agroecologia, da mobilização comunitária e da educação ambiental. Essa é a proposta do Projeto Vem Viver, iniciativa da Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE), com apoio do coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim! e em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Com atuação em Sarzedo (MG), Ibirité (MG) e Betim (MG), o projeto busca fortalecer práticas sustentáveis e ampliar o acesso das comunidades a conhecimentos sobre agroecologia, recuperação ambiental e tecnologias sociais. Entre as ações previstas estão a implantação de sistemas agroflorestais, quintais produtivos, saneamento ecológico, compostagem, formação de promotores de agroecologia e atividades de educação ambiental com escolas e moradores da região.

O Vem Viver teve início em maio de 2025 e será desenvolvido até abril de 2028. A iniciativa nasceu da união entre a experiência da REDE, organização com 40 anos de atuação na promoção da agroecologia, e a trajetória comunitária do coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim!, formado por mulheres de Sarzedo. Desde o início das atividades, o projeto já promoveu o plantio de mais de 700 mudas de árvores em cerca de 10 mil metros quadrados de Sistemas Agroflorestais (SAFs), realizou 22 oficinas de educação ambiental com aproximadamente 2 mil estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública e mobilizou mais de 300 pessoas nos três municípios.

Criada em 1986, a REDE desenvolve ações de assessoria técnica, formação, intercâmbio de experiências e incidência em políticas públicas, apoiando agricultoras e agricultores urbanos e familiares e povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e povos de matriz africana. Para Laura Barroso, técnica em agroecologia da REDE, a organização nasceu em um momento de transformação da agricultura brasileira, propondo alternativas ao modelo baseado em monoculturas e no uso intensivo de insumos químicos. “Na época nem se chamava agroecologia, se chamava agricultura alternativa, que nada mais é do que um resgate ancestral dessa agricultura limpa, sem veneno, que os antigos faziam. Uma agricultura que parte mais da diversidade do que das monoculturas”, explica.

A aproximação com o coletivo aconteceu em 2023, quando as mulheres fizeram um curso com a REDE. “Em 2023 conhecemos o coletivo. Elas fizeram um curso conosco e depois a gente se encontrou em um Congresso Brasileiro de Agroecologia, porque estamos sempre muito enredadas”, conta Laura. Quando surgiu o edital do Programa Petrobras Socioambiental, as duas organizações decidiram construir a proposta em conjunto, unindo a experiência técnica da REDE ao trabalho comunitário das Marias no território.

A proposta une conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário, com foco em experiências demonstrativas que possam ser multiplicadas pelas próprias comunidades. “O desafio é muito grande de fazer uma mudança expressiva na região, mas a gente aposta em ter experiências demonstrativas que as famílias podem aprender, replicar e ser beneficiadas diretamente com aquela tecnologia”, destaca Laura. O projeto prevê ainda tecnologias sociais, como tanques de evapotranspiração para tratamento ecológico de resíduos sanitários e sistemas de compostagem. “Apostamos nessa tecnologia e em composteiras, que também são uma alternativa de gestão de resíduos, deixando de descartar o resíduo orgânico e promovendo uma autonomia na produção de adubação natural”, comenta.

O coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim! nasceu durante a pandemia, em 2021, a partir da mobilização de mulheres de Sarzedo que buscavam fortalecer redes de apoio, segurança alimentar e geração de renda em um município marcado pela atividade mineradora e pela escassez de oportunidades para as mulheres. Hoje, atua em três frentes: agroecologia, costura criativa e artesanato sustentável.

Segundo Nilce Nicácio, assistente social e coordenadora administrativa do coletivo, a iniciativa surgiu como uma rede de acolhimento para mulheres que enfrentavam o desemprego e outras dificuldades. “Começamos nessa perspectiva de garantir a segurança alimentar e nutricional das mulheres que nos procuravam na época, porque estavam desempregadas, perderam vínculos, perderam familiares”, lembra. As primeiras ações envolveram arrecadação de alimentos, distribuição de cestas básicas e parceria com uma associação de catadores. Aos poucos, o grupo passou a desenvolver hortas comunitárias, produção de mudas, costura criativa, artesanato sustentável e mutirões de plantio em um espaço cedido pela Sociedade São Vicente de Paulo, onde hoje funciona o Centro de Educação Ambiental Vem Viver.

“Nós começamos a entender o que era a reforma agrária, a agricultura regenerativa e a agrofloresta, como plantar sem veneno e como tudo isso está ligado à nossa saúde. Então, colocamos a agroecologia como um dos pilares das nossas ações”, pontua Nilce.

O centro, que teve origem em uma proposta anterior voltada ao cultivo do capim-vetiver, já recebe estudantes, pesquisadores, organizações e moradores interessados em conhecer práticas de agroecologia, compostagem, produção de mudas e sistemas agroflorestais. A expectativa é que o espaço se torne referência regional em educação ambiental. O coletivo também promove geração de renda por meio da economia solidária: os produtos vendidos em feiras são produzidos pelas próprias participantes, e parte da receita retorna diretamente a elas.

Para saber mais sobre o projeto, acesse instagram.com/projetovemviver.

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