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Mineiros são os mais inseguros em relação às estruturas de mineração do país, aponta pesquisa PoderData

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Foto: Isis Medeiros/Avabrum

Levantamento revela que a população de Minas Gerais se sente mais vulnerável e acredita na possibilidade de novas tragédias

Depois dos rompimentos de estruturas registrados em minas da Vale em Ouro Preto (MG) e Congonhas (MG), no dia 25 de janeiro de 2025, data que marcou os sete anos da tragédia-crime de Brumadinho, a população mineira permanece insegura em relação à estabilidade de barragens, diques e reservatórios da mineração. Pesquisa do PoderData mostra que, em Minas Gerais, essa insegurança alcança 54 por cento dos entrevistados, enquanto no país o índice chega a 45 por cento.

O levantamento indica ainda que 83 por cento dos mineiros acreditam na possibilidade de novas tragédias, percentual superior ao registrado no cenário nacional, onde 68 por cento compartilham dessa avaliação. O dado reforça a percepção de vulnerabilidade vivida no estado mais marcado por crimes associados à mineração.

Também existe descrença em relação a uma mudança de postura da Vale. Entre os entrevistados mineiros, 52 por cento afirmam que a mineradora tenta limpar sua imagem após as tragédias de Brumadinho e Mariana por meio de propagandas sobre proteção da Amazônia e patrocínio de eventos ambientais e culturais. Apenas 18 por cento reconhecem a empresa como genuinamente preocupada com o meio ambiente.

Esse sentimento de insegurança ganhou materialidade nos episódios registrados na Região Central de Minas Gerais. No dia 25 de janeiro de 2025, duas estruturas da Vale se romperam em intervalo inferior a 24 horas. Na Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), falhas no sistema de drenagem de uma cava licenciada para recebimento de rejeitos provocaram o rompimento de estruturas de contenção, com carreamento de água e sedimentos. O material ultrapassou em mais de 30 vezes os parâmetros ambientais permitidos, atingiu cursos d’água e alcançou áreas de empresas vizinhas.

Em Congonhas (MG), na Mina de Viga, o rompimento associado ao escorregamento de um talude natural excedeu a capacidade dos sistemas de controle e atingiu um córrego da região.

As ocorrências levaram inicialmente o Governo de Minas a autuar a Vale em 1,7 milhão de reais e determinar a suspensão das atividades nas minas de Fábrica e Viga, além da imposição de medidas emergenciais, como limpeza das áreas afetadas, apresentação de relatórios técnicos e elaboração de plano de recuperação ambiental. Embora não tenha havido vítimas nem rompimento de barragens, os episódios evidenciaram danos ambientais relevantes e reforçaram a percepção de fragilidade nos mecanismos de controle e prevenção da mineração em território mineiro.

No dia 30 de janeiro de 2025, o Ministério Público Federal solicitou à Justiça Federal o bloqueio de 1 bilhão de reais em contas da Vale, além da suspensão do direito de venda ou transferência da Mina de Fábrica e da interrupção das atividades na estrutura onde ocorreu o rompimento. Na mesma data, o Governo de Minas decidiu ampliar a multa aplicada à mineradora de 1,7 milhão para 3,3 milhões de reais.

O Ministério Público Federal também requereu a adoção imediata de medidas de segurança para evitar novos rompimentos, a reparação dos danos ambientais e a apresentação de estudos técnicos independentes sobre a estabilidade da cava e das demais estruturas do complexo minerário. O órgão exigiu ainda que a Vale informe, em até 72 horas, se possui outras estruturas improvisadas como a que se rompeu na Mina de Fábrica.

Para a diretora da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão, AVABRUM, Josiane Melo, as medidas revelam a gravidade do cenário. Segundo ela, quando o Ministério Público pede o bloqueio de 1 bilhão de reais e estudos independentes sobre a estabilidade das estruturas, fica evidente a existência de risco real e a ausência de um episódio isolado.

Josiane afirma ainda que a população de Minas convive há anos com promessas de segurança sem confirmação na prática. Ela destaca que familiares de vítimas reafirmam a falta de aprendizado da indústria da mineração e dos órgãos regulamentadores com as tragédias de Mariana e Brumadinho, onde quase 300 vidas foram perdidas.

Os dados da pesquisa PoderData dialogam com um quadro mais amplo de desconfiança persistente dos mineiros em relação à segurança da mineração e à capacidade das instituições de evitar novos crimes. A repetição de rompimentos de estruturas, mesmo sem vítimas fatais, reforça a avaliação de que as mudanças anunciadas após 2019 não foram suficientes para eliminar riscos estruturais associados à atividade mineral no estado.

Para a presidente da AVABRUM, Nayara Porto, a pesquisa explicita uma cobrança objetiva da sociedade mineira. Ela afirma que os dados mostram a exigência por fiscalização efetiva e punição real. De acordo com Nayara, depois de Brumadinho a população não aceita mais discursos vazios nem falhas recorrentes. Para a presidente da associação, o que ocorreu em Congonhas e Ouro Preto, justamente no marco dos sete anos da tragédia-crime, reforça a urgência de atuação firme da Agência Nacional de Mineração e do Estado para proteger vidas e territórios.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo PoderData entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2025, com 3.200 entrevistas em 111 municípios das 27 unidades da Federação. Em Minas Gerais, ocorreram 800 entrevistas, com reforço amostral na região de Brumadinho.

O levantamento ouviu brasileiros com 16 anos ou mais por meio de pesquisa telefônica automatizada, IVR. A margem de erro é de mais ou menos 1,9 ponto percentual, com nível de confiança de 95 por cento. A amostra recebeu ponderação por sexo, idade, escolaridade, renda e região.

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