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Parceria anuncia investimento de R$ 300 milhões para enfrentar resíduos e poluição plástica no Brasil

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Foto: Douglas Schinatto

Fundação Ellen MacArthur, Prefeitura do Recife e governo federal firmam cooperação apoiada por empresas para transformar sistemas de coleta e reciclagem e criar modelo replicável para outras cidades

Uma parceria inovadora anunciada em 1º de julho de 2026 coloca o Recife (PE) no centro do combate aos resíduos e à poluição plástica no Brasil. A Fundação Ellen MacArthur firmou acordo com a Prefeitura do Recife, apoiada pela Clean Rivers e por membros de sua rede de empresas, incluindo Mars Inc., Nestlé, PepsiCo e Unilever, para explorar uma nova abordagem ao desenvolvimento de sistemas de coleta e reciclagem de embalagens, com potencial de se tornar modelo para cidades semelhantes e apoiar a construção de políticas públicas nacionais.

No evento de lançamento, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e a Prefeitura do Recife assinaram acordos formais com a Fundação. Nos próximos seis meses, as partes trabalharão com atores locais para elaborar um plano detalhado para a cidade. A ambição é mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos plurianuais e iniciar as atividades no Recife já em 2027.

A parceria se baseia nas conclusões do relatório Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil, publicado pela Fundação e pela Clean Rivers com base em informações de mais de 80 organizações, incluindo formuladores de políticas públicas, representantes de catadores, empresas, acadêmicos, ONGs e financiadores. O documento mostra que um sistema de resíduos urbanos mais eficiente poderia recuperar R$ 14 bilhões em valor de material reciclável atualmente destinado a aterros, além de gerar cerca de 9.300 empregos nas cadeias de coleta, triagem e processamento de materiais. As cadeias produtivas da reciclagem de plásticos poderiam gerar mais 64 mil postos de trabalho até 2030.

“O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem, incluindo bases políticas sólidas, vontade política e uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores, que são o motor do sistema de reciclagem do país. A lacuna de infraestrutura é uma barreira sistêmica central para a construção de uma economia circular para embalagens. Estamos animados para trabalhar com o Recife e começar um novo modelo de colaboração entre cidades e empresas para fechar essa lacuna, com a esperança de que cidades e formuladores de políticas públicas em todo o Brasil possam aproveitar o que aprendermos aqui”, afirma Luisa Santiago, diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur.

O Recife foi escolhido como ponto de partida porque seus desafios e suas bases refletem os de muitas outras cidades brasileiras. Com 1,6 milhão de habitantes e uma rede de rios, pontes e cursos d’água, a cidade pode ter benefícios visíveis. Embora tenha registrado crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos em 2024, mais que o dobro da média nacional, desafios significativos persistem: apenas 1% dos domicílios têm acesso à coleta seletiva formal.

“A cada ano, milhões de toneladas de resíduos chegam aos cursos d’água e aos oceanos do planeta. O fortalecimento dos sistemas de gestão de resíduos reduz esse vazamento, protegendo os ecossistemas de água doce e as comunidades que deles dependem. Recife é o lugar certo para iniciarmos nosso trabalho, por ser uma cidade definida por sua vasta rede de cursos d’água que deságuam no Atlântico Sul”, afirma Deborah Backus, CEO da Clean Rivers.

Para Jean-Luc Negrier, head de sustentabilidade de embalagens na Nestlé, a iniciativa oferece uma oportunidade de testar e aprender a partir de um modelo local que pode orientar abordagens para a circularidade de embalagens em outras regiões. “Vemos grande valor em trabalhar junto com nossos colegas de indústria e demais atores para construir um aprendizado compartilhado, demonstrar soluções escaláveis e apoiar a mudança sistêmica.”

O prefeito de Recife, Victor Marques, avalia que “esse projeto vai nos ajudar a avançar ainda mais nesse caminho, não apenas na busca por uma cidade mais limpa e sustentável, mas ainda além, na dimensão humana e do desenvolvimento social. Essa é uma parceria que promete grandes frutos para a população como um todo, e principalmente para aqueles que mais precisam.”

O Brasil detém 12% da água doce do planeta e é um dos cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo. Apesar de a coleta cobrir pelo menos 92,4% da população, mais de um quarto dos resíduos sólidos urbanos ainda é descartado de forma inadequada, e estima-se que 3,5 milhões de toneladas de plástico acabem em bueiros, rios e ecossistemas. Os 800 mil catadores do Brasil recuperam até 90% de todos os materiais recicláveis do país, mas a maioria trabalha sem remuneração justa ou condições seguras. O relatório pede o reconhecimento formal dos catadores, remuneração pelos serviços que prestam e um papel formal na gestão da coleta e da reciclagem nas cidades.

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