Coalizão reúne setor privado, governo, organismos internacionais e sociedade civil para impulsionar a inclusão produtiva na transição para uma economia de baixo carbono
O Unicef e parceiros lançaram, na quinta-feira, 16 de julho de 2026, em São Paulo (SP), a Aliança Empregos Verdes, iniciativa multissetorial voltada à criação de oportunidades de trabalho decente no contexto da transição para uma economia de baixo carbono. A Aliança está aberta à adesão do setor privado, governos, sociedade civil e juventudes.
A iniciativa é liderada pelo Unicef em parceria com a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Fundação Arymax, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e de movimentos sociais como o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o Fórum Paraense de Juventudes.
“O futuro do trabalho e o futuro do planeta estão conectados. Por meio da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1MiO), o Unicef vem apoiando adolescentes e jovens no desenvolvimento de habilidades verdes e articulando parcerias com empresas e governos para ampliar oportunidades de inclusão produtiva. A Aliança Empregos Verdes nasce para conectar atores estratégicos e acelerar esse movimento, garantindo que a transição para uma economia mais sustentável também gere oportunidades para as atuais e as novas gerações”, afirma Mônica Dias Pinto, chefe de educação do Unicef no Brasil.
A criação da Aliança responde às profundas transformações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho diante da emergência climática. No Brasil, dois milhões de adolescentes e jovens de 14 a 29 anos atuam em empregos verdes. Apesar de esforços crescentes para incluir habilidades verdes na educação profissional, essa oferta ainda é limitada e concentrada em grandes centros urbanos.
“O setor privado é central na transição para uma economia de baixo carbono e para a construção de um mercado de trabalho mais justo e sustentável. A Aliança Empregos Verdes reforça o compromisso do setor empresarial brasileiro para que a transição climática seja também uma transição justa, que amplie o acesso a trabalho decente e não deixe ninguém para trás”, comenta Gabriela Rozman, gerente de educação e inclusão produtiva do Pacto Global da ONU-Rede Brasil.
“A transição para uma economia de baixo carbono representa uma grande oportunidade de desenvolvimento e geração de empregos no Brasil. No entanto, essa mudança precisa se concentrar não somente na quantidade de empregos verdes gerados, mas, principalmente, na sua qualidade e no seu potencial de inclusão social. É fundamental implementarmos programas e políticas que garantam que pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade econômica, possam desenvolver as competências e habilidades necessárias”, afirma Vivianne Naigeborin, superintendente da Fundação Arymax.
“A transição justa para uma economia de baixo carbono representa uma oportunidade histórica para ampliar a geração de empregos verdes e promover o desenvolvimento sustentável. Mas essa transformação somente será bem-sucedida se vier acompanhada de investimentos em aprendizagem ao longo da vida, desenvolvimento de competências e políticas públicas capazes de assegurar trabalho decente e inclusão para todas as pessoas”, afirma Vinícius Pinheiro, diretor do Escritório da OIT para o Brasil.
“As pessoas refugiadas e deslocadas estão entre as mais afetadas pelos impactos da crise climática, mas também têm muito a contribuir para as soluções. Envolvê-las na transição para uma economia mais sustentável significa ampliar o acesso a empregos verdes, qualificação e oportunidades de geração de renda”, destaca Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil.
O diretor do Departamento de Políticas de Trabalho para a Juventude do MTE, João Victor da Motta, ressalta que a transição ecológica é uma oportunidade de reconfiguração econômica e social. “Nosso compromisso nessa agenda busca garantir que as nossas juventudes desenvolvam as habilidades e competências necessárias para ingressar e protagonizar essa nova economia, ao mesmo tempo em que asseguramos uma transição justa, protegendo, amparando e requalificando os trabalhadores que já dedicam suas vidas ao mundo de trabalho.”
O diretor-geral do Senai, Leone Andrade, reforça que a preparação da força de trabalho é um dos pilares para uma transição ecológica inclusiva. “As transformações impulsionadas pela economia verde estão ampliando a demanda por novas competências e perfis profissionais. Investir na qualificação é essencial para que trabalhadores e empresas estejam preparados para esse novo cenário, com mais oportunidades de emprego e desenvolvimento”, afirma. O Senai integra o comitê gestor da Aliança na frente de trabalho Formação, Qualificação e Requalificação para Economia Verde.







