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Mercado livre pode reduzir desperdício de energia renovável e aumentar eficiência do sistema elétrico

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Com recordes de cortes na geração eólica e solar, expansão do mercado livre para consumidores de baixa tensão tende a criar demanda para energia hoje desperdiçada e fortalecer a transição energética

A abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão pode representar um dos principais instrumentos para reduzir um dos maiores desafios atuais do setor elétrico brasileiro: o aumento do curtailment, termo utilizado para definir os cortes forçados na geração de usinas eólicas e solares quando há excesso de oferta de energia e limitações para seu escoamento ou consumo.

O tema ganhou relevância nos últimos dois anos, após o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrar volumes recordes de restrições à geração renovável em diversas regiões do país, especialmente no Nordeste. Enquanto novos empreendimentos continuam sendo conectados ao sistema, a expansão da demanda não acompanha o mesmo ritmo, ampliando o desperdício de energia limpa disponível.

Na avaliação da Ludfor, grupo de soluções em energia, a ampliação do mercado livre cria um novo vetor de consumo capaz de absorver parte dessa energia excedente, ao mesmo tempo em que fortalece mecanismos de gestão inteligente da demanda e incentiva contratos lastreados em fontes renováveis.

“Hoje o Brasil vive um paradoxo. Temos uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e, ao mesmo tempo, enfrentamos situações em que parte dessa energia precisa deixar de ser gerada. A abertura do mercado livre amplia o número de consumidores capazes de contratar energia renovável e cria sinais econômicos para que o consumo aconteça justamente nos momentos de maior disponibilidade dessa geração”, afirma Alexandre Becker, coordenador de projetos especiais da Ludfor.

Segundo a empresa, o movimento também contribui para tornar o sistema elétrico mais eficiente. Com consumidores respondendo aos sinais de preço e deslocando parte do consumo para horários de maior oferta de energia solar e eólica, diminui-se a necessidade de acionamento de fontes mais caras e emissoras de carbono, como as termelétricas.

Estudo elaborado a partir do cruzamento de dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) estima que a migração de consumidores para contratos de energia renovável apresenta elevado potencial de redução de emissões de carbono. São Paulo lidera o ranking nacional, com potencial para evitar aproximadamente 2,35 milhões de toneladas de CO₂ por ano, seguido por Minas Gerais (756 mil toneladas), Rio de Janeiro (672 mil), Paraná (504 mil) e Rio Grande do Sul (462 mil).

No caso do Rio de Janeiro, o potencial de descarbonização por residência é estimado em cerca de 25% acima da média nacional, reflexo do elevado consumo de energia para climatização durante grande parte do ano.

Além disso, o crescimento do mercado livre estimula a contratação de energia certificada por instrumentos como os I-RECs (International Renewable Energy Certificates), permitindo que empresas e consumidores comprovem o uso de energia proveniente de fontes renováveis.

“Mais do que oferecer economia na conta de luz, o mercado livre passa a cumprir um papel importante na eficiência do sistema elétrico. Quanto maior a participação de consumidores capazes de responder aos sinais do mercado, menor tende a ser o desperdício de energia renovável e maior a eficiência na utilização dos recursos já instalados”, conclui Becker.

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