Programa oferece orientação gratuita a produtores rurais, com ações voltadas à produtividade, recuperação de pastagens, rastreabilidade e conservação ambiental
Melhorar a produtividade, recuperar pastagens e planejar a propriedade estão entre os resultados observados por pequenos pecuaristas de Mato Grosso que participam do Programa Produção Sustentável de Bezerros, liderado pela Fundação IDH em parceria com a Mars.
A iniciativa oferece assistência técnica produtiva e gerencial gratuita e contínua aos pecuaristas. O trabalho em campo é realizado pelo Instituto BioSistêmico (IBS), responsável pelo acompanhamento individual das propriedades.
O programa busca contribuir para uma cadeia de fornecimento de carne bovina mais responsável e rastreável. A atuação desde a origem inclui medidas para ampliar a transparência da cadeia, reduzir riscos socioambientais e incentivar práticas de combate ao desmatamento.
Atualmente, a parceria atende 82 produtores de 12 municípios da região sudoeste de Mato Grosso. As propriedades acompanhadas somam cerca de 31 mil hectares de pastagens, dos quais aproximadamente 5 mil receberam práticas de intensificação produtiva. Mais de 22 mil hectares de vegetação nativa foram conservados.
Assistência considera a realidade de cada propriedade
Em São José dos Quatro Marcos, o produtor Gleison Rodrigues e sua família encontraram no acompanhamento técnico uma oportunidade de aprimorar diferentes aspectos da propriedade. As orientações abrangem manejo reprodutivo e nutricional, genética dos animais, manejo do solo, pastejo rotacionado, análise de solo e planejamento da alimentação durante os períodos de estiagem.
A assistência busca apoiar o produtor na escolha das soluções adequadas à realidade de cada propriedade e no planejamento das atividades ao longo do ano.
“A assistência técnica nos ajuda a olhar para a propriedade como um todo. Passamos a discutir desde o manejo dos animais e das pastagens até o solo e o planejamento para a época de seca. Ter esse acompanhamento faz diferença porque conseguimos tomar decisões com mais conhecimento e pensando no resultado da propriedade no longo prazo”, explica Gleison.
O acompanhamento começa com um diagnóstico que considera condições do solo, qualidade das pastagens, disponibilidade de água, manejo dos animais, estrutura produtiva e situação ambiental.
A partir dessa avaliação, os produtores recebem recomendações sobre manejo e recuperação de pastagens, saúde do solo, gestão da água, regularização ambiental, bem-estar animal, rastreabilidade do gado e planejamento da propriedade. As medidas são acompanhadas continuamente pelos técnicos do Instituto BioSistêmico.
O objetivo é transformar conhecimentos relacionados à sustentabilidade e à agricultura regenerativa em práticas que possam ser incorporadas à rotina dos produtores.
“Para transformar as cadeias produtivas, precisamos conectar nossos compromissos de sustentabilidade às necessidades reais dos territórios. Essa parceria permite levar conhecimento técnico aos produtores e, ao mesmo tempo, avançar na construção de uma cadeia de fornecimento mais responsável, rastreável e resiliente”, afirma Carolina Dalben, gerente de Clima e Sustentabilidade da Mars Pet Nutrition no Brasil.
Informação auxilia planejamento das propriedades
Também em São José dos Quatro Marcos, Gerson de Freitas Lima encontrou na assistência técnica uma forma de ampliar sua capacidade de planejamento. Em pequenas propriedades, decisões sobre produção, manejo e investimentos têm impacto direto na rentabilidade da atividade.
O acompanhamento considera as características e aptidões produtivas de cada área e busca transformar as orientações técnicas em medidas aplicáveis ao cotidiano.
“Quando temos orientação e conseguimos planejar melhor, ficamos mais seguros para decidir o que realmente faz sentido para a propriedade. O acompanhamento técnico ajuda a enxergar onde podemos melhorar e nos dá mais autonomia para conduzir a produção pensando no futuro”, conta Gerson.
Silvio Monês, produtor do mesmo município, também destaca o acesso à informação como um dos ganhos do programa.
“A informação faz diferença na hora de decidir. Com o acompanhamento técnico, conseguimos entender melhor o que precisa ser feito, definir prioridades e trabalhar de forma mais eficiente. Isso traz mais segurança para o produtor e para o futuro da propriedade”, explica.
Além de orientar a implementação das práticas, os técnicos acompanham a evolução das propriedades e ajustam as recomendações conforme os resultados. O trabalho também busca ampliar a autonomia dos produtores para que os conhecimentos adquiridos continuem sendo aplicados após o período de assistência.
“Um dos principais desafios é garantir que as recomendações sejam viáveis para o produtor e resultem em melhorias não só ambientais, mas econômicas. O foco está nas mudanças das práticas em campo, mas com uma visão de gerar resultados mais amplos, como acesso a crédito, novos mercados e enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma Alex Schmidt, gerente de programas da Fundação IDH.
O programa também está estruturando uma metodologia para quantificar a remoção e a recomposição de carbono nas propriedades atendidas a partir das melhorias no uso do solo. Os dados poderão contribuir para mensurar os resultados climáticos das ações implementadas.
Produção responsável desde a origem
A iniciativa também integra ações voltadas ao desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento de carne bovina mais rastreável e alinhada ao combate ao desmatamento.
Para os produtores, o acesso gratuito e contínuo à assistência técnica pode contribuir para melhorar a gestão, a produtividade e as condições ambientais das propriedades. Para a cadeia produtiva, o acompanhamento na origem amplia as possibilidades de rastreabilidade e gestão de riscos socioambientais.
A mudança no uso da terra está entre as principais fontes de emissões da cadeia de valor da Mars. Para enfrentar o problema, a companhia atua no mapeamento, na gestão de riscos e no monitoramento da origem de matérias-primas consideradas prioritárias, como carne bovina e soja.
Em 2024, 90% do volume de ingredientes de carne bovina adquiridos diretamente pela empresa no Brasil foi identificado como proveniente de áreas classificadas como de baixo risco de desmatamento e em conformidade com a legislação ambiental vigente.







