Levantamento mostra que 233 das 456 empresas com valores institucionais públicos declaram sustentabilidade, ESG e/ou diversidade e inclusão entre seus princípios
ESG ou diversidade estão entre os valores declarados por 51% das 500 maiores empresas brasileiras, segundo o levantamento DNA Cultural Brasileiro 2026, realizado pela consultoria Santo Caos com base em informações públicas das companhias.
Das 500 organizações analisadas, 456 possuem valores institucionais divulgados. Desse grupo, 233 incluem Sustentabilidade e ESG e/ou Inclusão e Identidade entre seus princípios. Outras 44 empresas, equivalentes a 8,8% da amostra total, não apresentam valores formalmente declarados.
A pesquisa mapeou 2.515 valores e os classificou em 11 categorias semânticas. Sustentabilidade e ESG aparecem em 36% das empresas analisadas, enquanto Inclusão e Identidade estão presentes em 28%.
Segundo Jean Soldatelli, sócio-fundador da Santo Caos, a presença desses temas nos valores corporativos indica que as agendas continuam fazendo parte da identidade declarada das organizações, ainda que possam ter ocorrido mudanças na forma como são trabalhadas.
“ESG e DE&I continuam fazendo parte da identidade declarada de muitas empresas. O que pode ter mudado é o quanto essas instituições estão investindo para que esse valor seja ou não reforçado no seu dia a dia e no seu posicionamento”, afirma.
Estatais têm maior presença de ESG e diversidade
A estrutura das organizações está entre os fatores que diferenciam a presença desses valores. Entre as estatais, 69% declaram princípios relacionados a ESG e 48% apresentam valores associados à diversidade, equidade e inclusão (DE&I), os maiores percentuais entre os grupos analisados.
Nas empresas familiares, os índices são de 40% para ESG e 30% para DE&I. Entre as companhias de capital fechado, os percentuais chegam a 38% e 24%, respectivamente. Nas empresas de capital aberto, são 28% e 27%. Já entre as cooperativas, 52% declaram Sustentabilidade e ESG e 26% apresentam valores relacionados à Inclusão e Identidade.
Para Soldatelli, os resultados indicam que a estrutura de governança e o ambiente institucional em que cada organização está inserida podem influenciar a forma como esses temas são incorporados ao discurso corporativo.
“A cultura declarada responde também às expectativas que chegam à empresa de diferentes direções. Por isso, alguns valores ganham mais espaço em determinados modelos de organização do que em outros”, explica.
Centro-Oeste lidera indicadores de ESG e diversidade
O levantamento também identificou diferenças regionais. No Centro-Oeste, 65% das empresas analisadas declaram Sustentabilidade e ESG, maior percentual entre as regiões. O índice é de 45% no Sul e no Nordeste, 36% no Norte e 31% no Sudeste.
Em DE&I, o Centro-Oeste também apresenta o maior percentual, com 35%, seguido pelo Nordeste, com 34%, Sul, com 29%, Sudeste, com 27%, e Norte, com 18%.
A presença de ESG no Centro-Oeste coincide ainda com um dos maiores indicadores de Inovação identificados pelo levantamento. Na região, 65% das empresas declaram a inovação entre seus valores, diante de uma média nacional de 56%.
Segundo a pesquisa, os números sugerem uma associação entre sustentabilidade e transformação em uma região cuja economia tem forte participação do agronegócio e passa por processos de modernização de suas cadeias produtivas.
ESG e diversidade integram diferentes narrativas corporativas
Ao analisar a combinação entre as categorias de valores, o estudo identificou cinco grandes narrativas culturais presentes nas empresas brasileiras.
ESG aparece na narrativa denominada pelo levantamento como “Conveniência”, relacionada a valores que podem ser influenciados pela ética do setor, por regulamentações ou por outras demandas do ambiente de negócios. DE&I, por sua vez, integra a narrativa de Identidade, associada, entre outros fatores, à origem da organização e aos valores pessoais de seus fundadores.
“Esses temas continuam presentes, mas não necessariamente pelas mesmas razões. Uma empresa pode incorporar sustentabilidade por regulação e pressão de mercado, enquanto outra pode colocar inclusão no centro de sua identidade por uma questão histórica ou de posicionamento. Entender essas diferenças é mais importante do que simplesmente contar quantas empresas mencionam cada tema”, afirma Soldatelli.
O porte das organizações também apresenta diferenças. A Sustentabilidade tem maior presença entre empresas com até mil funcionários, enquanto DE&I aparece com maior frequência nas organizações que possuem entre 10 mil e 50 mil trabalhadores.
Pesquisa analisou empresas de 28 setores
O DNA Cultural Brasileiro 2026 foi elaborado a partir de informações públicas das 500 maiores empresas do Brasil, distribuídas por 28 setores da economia e presentes em 20 estados.
Ao todo, foram analisadas 2.515 declarações individuais de valores, classificadas em 11 categorias semânticas. O levantamento também identificou estilos culturais predominantes por meio do modelo OCAI e realizou cruzamentos por porte, setor, região, estrutura de governança e variação de faturamento.
Mais informações sobre o estudo estão disponíveis no site do DNA Cultural Brasileiro.







