Criada pelo fotógrafo e ambientalista Mario Barila, iniciativa fortalece ações de preservação ambiental, educação e mobilização social por meio da arte no Brasil e no exterior
Mais do que uma expressão artística, a fotografia se consolidou como instrumento de impacto socioambiental na trajetória de Mario Barila. Desde 2014, o fotógrafo percorre o Brasil com o Projeto Água Vida, iniciativa criada para promover e financiar ações de preservação ambiental por meio da venda de suas imagens. Com iniciativas recentes realizadas no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o projeto passa a atuar em todos os biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas.
Economista de formação, Barila se dedicou à fotografia após a aposentadoria, tendo como mentor o fotógrafo Araquém Alcântara. Sensibilizado pelas desigualdades sociais e pelos desafios ambientais observados em suas viagens, encontrou na arte uma forma de dar visibilidade a essas causas e mobilizar pessoas em torno delas.
Nos últimos meses, o Projeto Água Vida intensificou sua presença em diferentes regiões do país, sempre combinando preservação ambiental, engajamento comunitário e produção artística. No Amapá, em parceria com o Instituto Casa Verde, a iniciativa promoveu ações voltadas à criação de viveiros de mudas amazônicas, reflorestamento e educação ambiental, além de estimular o debate sobre o uso responsável de recursos provenientes da exploração de petróleo na região. A passagem pelo estado incluiu registros fotográficos de forte apelo social, como um ensaio realizado no lixão de Macapá.
Em Pernambuco, o projeto atuou na Caatinga ao lado do povo indígena Xukuru do Ororubá, contribuindo para o plantio de um bosque com espécies nativas e participando de iniciativas de recuperação de áreas degradadas. Em Brasília, durante as ações em celebração ao Dia do Cerrado, Barila apoiou iniciativas de reflorestamento, ampliou a estrutura de viveiros de mudas e promoveu atividades de educação ambiental com comunidades locais, incluindo doação de insumos e sementes para projetos de recuperação ambiental na região.
Na Bahia, o projeto deu início a uma nova etapa no sul do estado, com a implantação de viveiros de mudas nativas e ações de reflorestamento em localidades como Caraíva, Corumbau e Trancoso, envolvendo diretamente crianças e comunidades locais.
Além das ações em território brasileiro, o Projeto Água Vida ampliou sua atuação internacional. Em abril de 2026, Mario Barila participou de uma iniciativa de recuperação ambiental na Patagônia argentina, na província de Chubut, região fortemente impactada por incêndios florestais. A ação incluiu o plantio de árvores nativas, apoio à implantação de um viveiro de mudas patagônicas e a introdução de colmeias para estimular a polinização.
A fotografia também ganhou novos espaços de conscientização. A convite da São Paulo Ocean Week 2026, Barila apresentou uma exposição com 24 imagens produzidas ao longo de suas expedições socioambientais, integrando a mostra Cine Oceano – Exposição Multimodal de Artes Visuais, realizada no Memorial da América Latina. Com a água como elemento central das obras, a participação reforçou o papel da arte como ferramenta de educação ambiental e aproximação do público com temas relacionados à preservação dos recursos hídricos e dos oceanos.
Em todas essas frentes, a fotografia segue como elemento central. Durante as expedições, Barila registra paisagens, espécies e comunidades, transformando essas imagens em exposições, ensaios e projetos culturais que ajudam a financiar novas ações e ampliar a conscientização ambiental. “Acredito que a conscientização começa pelo olhar. Quando as pessoas se conectam com a natureza e com as histórias por trás dela, passam a entender a importância de preservar”, afirma.







